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Checamos a sabatina de Geraldo Alckmin — veja o resultado

Alessandra Monnerat e Caio Sartori

06 Setembro 2018 | 18h17

Estadão Verifica checou o discurso de Geraldo Alckmin (PSDB) na Sabatina Estadão-Faap, realizada na manhã desta quinta-feira, 6. Com base no grau de veracidade ou ausência de compromisso com os fatos, declarações receberam uma “nota”, expressa em uma escala de um a quatro “pinocchios”, nos casos em que não foram consideradas totalmente verdadeiras. Para aplicar essa gradação, o Estado se inspirou na sessão Fact Checker do jornal The Washington Post, publicada desde 2007.

O Pinocchio – boneco de madeira cujo nariz cresce quando conta uma mentira, segundo a história infantil criada pelo italiano Carlo Collodi  – também recupera capas históricas do antigo Jornal da Tarde, do Grupo Estado, que em 1982 publicou em diversas edições imagens de Paulo Maluf com o nariz dilatado, apontando inverdades do então governador.

“Dívida pública foi para 77% do PIB, 5,2 trilhões.”

Verdade

O atual valor da dívida pública — ou seja, aquela contraída pelo governo — é bem próximo ao citado por Alckmin: R$ 5,133 trilhões. Corresponde, sim, a 77% do PIB brasileiro. Trata-se do maior percentual para a série histórica, que, em seu melhor momento, chegou a 51,5% do PIB, em dezembro de 2013.

“70% do (orçamento do) MEC é para universidades. É uma inversão de prioridades.”

Majoritariamente verdade

Alckmin faz um diagnóstico correto ao dizer que o País investe mais em universidades do que em ensino básico, mas exagera no número. A realidade é que cerca de 60% do orçamento do Ministério da Educação, o MEC, vai para o ensino superior — um montante de R$ 130 bilhões. Os outros 40% ficam divididos entre educação infantil, fundamental e média. No final de 2017, a secretária-executiva do MEC, Maria Helena Guimarães, informou que o ensino superior consumiria cerca de 58% do orçamento da pasta para o ano.

Especialistas avaliam que é preciso inverter a lógica. Contudo, os dados já foram ainda mais desiguais entre si. Hoje, a cada R$ 1 gasto com alunos dos ensinos infantil, fundamental e médio, R$ 3 são gastos com os do superior — três vezes mais. No começo dos anos 2000, a diferença era dez vezes maior.

Em resposta, a assessoria do candidato informou que Alckmin se baseou no estudo “Aspectos Fiscais da Educação no Brasil”, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional. O relatório informa que o gasto primário da União em 2017 com educação superior foi de R$ 75,4 bilhões, 64,3% do total de R$ 117,2 bilhões. Diante disso, mudamos a classificação de “meia verdade” para “majoritariamente verdade”.

“São Paulo aumentou sua pontuação no Ideb nos ciclos 1 e 2.”

Majoritariamente verdade

Ao comentar o desempenho do Estado no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado na semana passada, o ex-governador de São Paulo acertou ao falar que a pontuação cresceu na educação infantil e fundamental. Por outro lado, o resultado não foi bom se comparado às outras unidades da Federação. São Paulo perdeu posições e piorou sua colocação no ranking do fundamental, no qual não bateu a meta. Isso sem mencionar o ensino médio, em que o Estado de Alckmin teve nota inferior ao levantamento anterior.

A assessoria do candidato argumentou não haver incorreção ou inconsistência. “O fato de outros Estados terem avançado ainda mais não anula o avanço paulista nos ciclos a que o candidato se referia”, informou em nota.

 

“O spread bancário (do Brasil) é quatro vezes o do mundo.”

Majoritariamente verdade

Em meio a críticas à falta de competitividade no sistema bancário brasileiro, Alckmin acertou ao comparar negativamente o País ao resto do mundo, mas errou o número. Segundo estatística do Banco Mundial, o spread bancário do Brasil (diferença entre o que as instituições financeiras pagam para captar dinheiro e o que ganham em empréstimos) era de 39,6% em 2017 — 6,9 vezes a mais do que a média mundial no mesmo período, de 5,7%. O País só perde para Madagascar (45%).

Procurada sobre o assunto, a assessoria de Alckmin comunicou que “a afirmação visava justamente demonstrar que o custo Brasil prejudica a competitividade de nossa economia. Logo, ainda que o número citado seja menor do que o verificado pela checagem, isso apenas reforça a argumentação. E mostra que o quadro é ainda pior”.