Charge antiga com críticas ao Judiciário é de jornal brasileiro, não francês
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Charge antiga com críticas ao Judiciário é de jornal brasileiro, não francês

Imagem de 2018 foi resgatada no momento em que grupos bolsonaristas criticam o STF pela prisão do deputado Daniel Silveira

Pedro Prata

28 de fevereiro de 2021 | 18h26

É falso que o jornal francês Le Monde tenha publicado charge com crítica ao Judiciário brasileiro. Circula nas redes sociais um meme com a suposta charge, alegando mostrar “o tribunal brasileiro com homens de toga assassinando a Justiça e o povo assistindo a tudo com camisa de futebol”. A imagem está fora de contexto. 

Foto: Reprodução

O mecanismo de busca reversa do Google mostrou que a charge foi capa da edição 128 do jornal brasileiro Le Monde Diplomatique Brasil, em março de 2018. Naquela edição, o jornal, que não tem relação com o francês Le Monde, fazia críticas ao que enxerga como papel do Judiciário na “legitimação das medidas que implicam retrocessos para a classe trabalhadora e outros grupos em posição subalterna”.

A imagem é uma crítica não só ao Judiciário, mas também ao Poder Executivo e às Forças Armadas, tendo em vista que juntam-se aos togados, no cenário de uma execução, um homem com a faixa presidencial e outros dois de farda.

A vítima da execução é a figura da deusa grega Têmis, que representa a Justiça. Seus olhos vendados representam a imparcialidade, e a balança em sua mão, o equilíbrio de suas decisões.

Já o meme que acrescenta uma interpretação enganosa à charge voltou a viralizar no momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) recebe críticas de grupos bolsonaristas pela prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ). Silveira postou um vídeo no qual ataca o STF e faz apologia ao Ato Institucional nº 5 (AI-5). Ele teve sua prisão confirmada por unanimidade pelos 11 ministros da Corte e pelo plenário da Câmara dos Deputados.

Conteúdo semelhante foi verificado pelo e-farsas.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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