É falso que foto mostre ato sexual durante culto religioso

É falso que foto mostre ato sexual durante culto religioso

Imagem de celebração evangélica circulou com informação falsa de que casal estaria tentando engravidar; na realidade, uma mulher se deitou sobre outra em oração por saúde

Pedro Prata

27 de maio de 2022 | 14h10

É falso que uma foto que viralizou no Facebook mostre um casal em ato sexual durante uma celebração religiosa. A imagem é compartilhada com uma legenda que diz se tratar de “casal de evangélicos com problemas para engravidar” e que eles estariam participando de um “culto de fertilidade”, mas a íntegra da cerimônia mostra que a mulher exibida na imagem estava procurando conforto espiritual para um problema de dores. Não houve prática sexual.

Foto: Reprodução

A cena foi gravada em um culto da Igreja Aliança Restaurada, em Belém. A íntegra da cerimônia religiosa foi postada pela página no Facebook da igreja em 17 de maio de 2022. A partir de 1 hora e 19 minutos, é possível ver que o pastor pede para uma colaboradora da igreja se deitar sobre a mulher que reclamava de dores. Não é verdade que a foto mostra um casal de homem e mulher.

Em seguida, o pastor diz que a saúde da colaboradora deve passar para o corpo da outra mulher. Em sua fala, não há nenhuma menção a problemas de fertilidade ou menção a atos sexuais.

A bispa Taiz Cardins, da igreja de Belém, postou um vídeo no qual esclarece o ocorrido. Ela explica que a igreja acredita que gestos e palavras no culto podem ligar o mundo espiritual ao físico. A mulher mostrada no vídeo estava doente e o pastor disse ter se baseado em uma passagem da Bíblia para realizar aquele gesto, acreditando que isso iria curá-la.

Desconfie de postagens que usam de informações vagas para discriminar determinados grupos sociais. A postagem analisada não informava a data nem o local em que o culto teria sido realizado.

Esse conteúdo também foi checado por e-farsas, Lupa e Coletivo Bereia.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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