Prateleiras vazias em supermercado da Bélgica não têm relação com medidas de combate à pandemia 

Prateleiras vazias em supermercado da Bélgica não têm relação com medidas de combate à pandemia 

Falta de alimentos em loja do Carrefour de Bruxelas está relacionada com uma greve no centro de distribuição que abastece a rede

Daniel Tozzi Mendes, especial para o Estadão

12 de outubro de 2021 | 13h07

Circula pelas redes sociais um vídeo mostrando a falta de produtos em um supermercado da rede Carrefour na cidade de Bruxelas, na Bélgica. No entanto, ao contrário do que a postagem dá a entender, o desabastecimento tem a ver com uma greve de trabalhadores, e não com políticas de isolamento social. 

Gravado por uma mulher que fala português, o vídeo mostra algumas prateleiras do supermercado vazias e a falta de itens como carnes, congelados e pão. Em uma publicação que viralizou no Facebook, a legenda do post tenta relacionar o problema com medidas tomadas pelo governo belga para combater a pandemia de covid-19. A postagem também supõe que o mesmo teria ocorrido no Brasil, caso não houvesse intervenção do presidente Jair Bolsonaro, que desde o início da pandemia se posicionou contra políticas de isolamento e “incentivou o povo a trabalhar”. 

Leitores solicitaram a checagem deste conteúdo por WhatsApp, (11) 97683-7490.

Prateleiras vazias Bélgica Bruxelas

O desabastecimento na loja do Carrefour em Bruxelas ocorreu devido a uma greve de funcionários de um centro de distribuição que é responsável por abastecer a rede de supermercados no país. Embora o vídeo realmente tenha sido gravado em uma das filiais do Carrefour na capital belga, a assessoria da rede de supermercados descartou qualquer possibilidade de relação entre o desabastecimento e as políticas de enfrentamento à pandemia. 

“O desabastecimento em uma unidade na Bélgica foi causado por uma greve de funcionários de um centro de distribuição, que não pertence ao Carrefour. As imagens não foram gravadas no Brasil”, reforçou a assessoria do Carrefour no Brasil em nota enviada ao Estadão Verifica.  

A greve teve início no final de setembro, quando o grupo Kuehne+Nagel, que atende o setor de logística do Carrefour, anunciou o fechamento de uma de suas sedes, na cidade de Nivelles. O anúncio do fechamento, que pode deixar desempregados mais de 500 funcionários, foi o que motivou os grevistas, conforme reportagem publicada pelo jornal belga Brussels Times

Segundo a assessoria do Carrefour no Brasil, os representantes da rede de supermercados na Bélgica vêm tentando solucionar o problema com o centro de distribuição, mas, até a última sexta-feira, 8, a situação ainda não havia sido resolvida. 

Fechamento das atividades na Bélgica

Ainda que a falta de alimentos no supermercado tenha relação apenas com a greve de funcionários na empresa do centro de distribuição, também não faz sentido relacionar o problema com qualquer medida restritiva de circulação de pessoas ou com o fechamento da economia. Isso porque, atualmente, existem poucas medidas do tipo sendo aplicadas na Bélgica — lojas, bares, restaurantes, escritórios e escolas estão abertos.

A principal medida de contenção atualmente é a necessidade de apresentação do Covid Safe Ticket (CST), algo similar ao passaporte da vacinação para entrada em estabelecimentos, bares ou restaurantes. Atualmente, a Bélgica tem pouco mais de 72% de sua população completamente vacinada

Apesar de ter mantido locais como bares, restaurantes e casas de show fechados ou com restrição de funcionamento até o último mês de agosto, o país já vinha flexibilizando as principais medidas de combate à pandemia ao longo do ano. 

De toda forma, a assessoria do Carrefour também confirmou à reportagem que, mesmo nos momentos mais críticos da pandemia e de fechamento das atividades, não houve qualquer problema com o abastecimento nos supermercados que pertencem à rede, tanto no Brasil, como na Bélgica. 

Um dos países da Europa mais afetados pela pandemia em números proporcionais de mortes, a Bélgica, de fato, conviveu com momentos de fechamento quase total da economia, com a liberação apenas de atividades essenciais. A plataforma Our World in Data, mantida pela Universidade Oxford, calcula um índice de 0 a 100 que quantifica a severidade das medidas de restrição, baseado em fatores como o fechamento de escolas, locais de trabalho e restrição de viagem.

Pelo gráfico abaixo, é possível notar que, na maior parte do tempo, o Brasil adotou restrições mais rígidas que o país europeu, que implementou políticas mais severas apenas em abril e novembro de 2020 e novamente em abril deste ano.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.