Caio Coppolla não foi demitido da CNN Brasil; texto atribuído ao comentarista é de autoria desconhecida
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Caio Coppolla não foi demitido da CNN Brasil; texto atribuído ao comentarista é de autoria desconhecida

Postagens falsas alegando afastamento após crítica ao STF foram seguidos de texto fake nas redes sociais

Samuel Lima, especial para o Estado

12 de maio de 2020 | 18h43

É falso que o comentarista da CNN Brasil Caio Coppolla tenha sido demitido da emissora por críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Também não é verdade que ele tenha escrito um texto que viralizou no Facebook com defesa do presidente Jair Bolsonaro e críticas à imprensa. Coppolla não foi demitido da CNN Brasil, como mostram vídeos do canal oficial da emissora. Além disso, nenhum de seus perfis nas redes sociais contém o artigo atribuído a ele.

O boato se assemelha a outro, desmentido recentemente pelo Estadão Verifica. À época, postagens no Facebook mostravam trecho de programa veiculado no dia 29 de abril e afirmavam que “repórter da CNN” havia sido afastado em razão de crítica à decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender a nomeação de Alexandre Ramagem à chefia da Polícia Federal

Boatos falsos de que Caio Coppolla teria sido afastado da CNN Brasil foram seguidos de texto inventado. Foto: Reprodução

O canal da CNN Brasil no YouTube mostra que Coppolla participou do mesmo quadro (“O Grande Debate”) no programa Expresso CNN sete vezes desde então, incluindo no dia seguinte, 30 de abril, e na data de ontem, 11 de maio. Nesse período, Coppolla fez novos comentários sobre a decisão de Moraes, o depoimento do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro à Polícia Federal e o STF.

O texto em circulação afirma que Caio Coppolla foi demitido da CNN “por fazer comentários contra o poder ditatorial e antidemocrático do STF”. O relato falso começa com a frase “Essa será minha última postagem sobre o momento em que vivemos” e continua com defesa do presidente Jair Bolsonaro (sempre em letras maiúsculas) contra suposta trama política envolvendo adversários, ex-aliados como Moro e veículos de imprensa.

A reportagem acessou as páginas de Caio Coppolla no Facebook, no Twitter e no Instagram e verificou que o artigo não foi compartilhado em nenhuma delas. O Estadão Verifica também entrou em contato com a assessoria de comunicação da CNN Brasil e o número que consta na página da Coppolla no Facebook, mas não recebeu retorno até o fechamento desta reportagem.

STF apura acusação de interferência na PF

A crítica de Coppolla ao ministro do STF Alexandre de Moraes é de que houve “jurisprudência criativa” na decisão de suspender, em 29 de abril, a nomeação do diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, para a direção-geral da Polícia Federal. 

A escolha de Ramagem, amigo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), foi feita na esteira da demissão de Maurício Valeixo do comando da PF — queda que resultou no pedido de demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública. 

O STF também autorizou abertura de inquérito para apurar a denúncia de Moro de que o presidente tentou interferir politicamente na Polícia Federal. Em depoimento à PF, em 2 de maio, Moro disse que recebeu mensagem de Bolsonaro com a frase “Moro, você tem 27 superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”.

O episódio mais recente envolve a exibição de vídeo de reunião ministerial em que o presidente teria vinculado a troca na PF à proteção dos filhos, segundo investigadores. Bolsonaro afirmou que o vídeo não contém as palavras “Polícia Federal”, “investigação” e “superintendência”.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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