Vídeo mostra a queda de um raio, e não um bombardeio na Ucrânia

Vídeo mostra a queda de um raio, e não um bombardeio na Ucrânia

Ataques da Rússia geram onda de imagens tiradas de contexto

Pedro Prata

25 de fevereiro de 2022 | 12h19

Um vídeo circula fora de contexto no Facebook como se mostrasse uma bomba caindo em um bairro residencial da Ucrânia. Na verdade, o vídeo é anterior à invasão do país e mostra a queda de um raio. Esse conteúdo foi visto ao menos 7,4 mil vezes.

A gravação mostra um clarão seguido de um barulho alto e a queda na energia de um prédio. O Estadão Verifica utilizou a ferramenta InVID para obter frames do vídeo. Em seguida, colocou cada imagem na busca reversa (veja aqui como fazer) para procurar outras vezes em que o vídeo foi publicado.

Vídeos circulam fora de contexto nas redes. Foto: Reprodução

A pesquisa encontrou uma checagem do site Lead Stories. Os checadores identificaram o vídeo publicado no TikTok em 29 de janeiro (veja abaixo). Não é possível afirmar se o vídeo é desse dia ou anterior a ele, nem se foi realmente gravado na Ucrânia. Mas prova que não mostra um ato de agressão russa. A invasão começou nas primeiras horas desta quinta-feira, 24 de fevereiro, com explosões sendo relatadas em diversas cidades. Bombardeios já haviam sido registrados em regiões separatistas, no leste do país, em 18 de fevereiro.

@kiryshkkanew

удар молнии в электростанцию! 🔥⚡😳

♬ оригинальный звук - Deidara 🔥🔥🔥

A legenda diz “удар молнии в электростанцию!”, o que a ferramenta de tradução do Google traduz do russo para o português como “relâmpago na usina!”. Um dos frames mostra o momento exato em que o raio cai.

Frame permite ver momento em que raio cai. Foto: Reprodução

Na tarde desta quinta, tropas russas vindas da vizinha Belarus tomaram a usina nuclear de Chernobyl, perto da capital, Kiev. Acompanhe ao vivo o conflito neste link, aberto para não-assinantes. Você pode conferir imagens reais do conflito a seguir:

Para Entender

Entenda a crise entre Rússia e Otan na Ucrânia

O que começou como uma troca de acusações, em novembro do ano passado, evoluiu para uma crise internacional com mobilização de tropas e de esforços diplomáticos

Este conteúdo também foi checado pela Lupa.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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