Boato resgata montagem de Lula sendo preso pela Polícia Federal
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Boato resgata montagem de Lula sendo preso pela Polícia Federal

Imagem original mostra a prisão preventiva do ex-parlamentar Pedro Corrêa (PP-PE) na 11ª fase da Operação Lava Jato

Pedro Prata

28 de abril de 2020 | 12h30

Uma montagem voltou a circular no Facebook para atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A publicação usa uma foto do petista sendo conduzido pela Polícia Federal, mas na verdade a imagem é uma montagem feita por um site satírico.

Boato é de 2015 e dizia que Lula foi preso secretamente pela PF. Foto: Reprodução

O boato circulou inicialmente em 2015. Na ocasião, o site de checagens E-Farsas verificou que a imagem fora produzida pelo blog humorístico Esperança do Brasil. Ela ilustrava a falsa notícia de que Lula teria sido secretamente preso pela PF em sua casa em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. O próprio site, no entanto, exibia uma mensagem com aviso de que o conteúdo ali publicado era inventado.

A página do Esperança do Brasil não está mais no ar.

A foto utilizada no boato foi originalmente tirada pelo fotógrafo Geraldo Bubniak. Ela retrata a prisão preventiva do ex-deputado federal Pedro Corrêa (PPPE) na 11ª fase da Lava Jato em 13 de abril de 2015. No momento do registro, Corrêa chegava ao Instituto Médico Legal de Curitiba para realizar o exame de corpo de delito.

À época, ele já era condenado a sete anos e dois meses no Mensalão por vender apoio ao governo Lula no Congresso e cumpria pena no regime semiaberto. Na 11ª fase da Lava Jato, os investigadores apuravam se ele teria usado contas da nora, de ex-assessores e de um funcionário de sua fazenda para receber recursos desviados da Petrobrás.

Lula só seria preso três anos mais tarde, no dia 7 de abril de 2018.  O ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão no caso do tríplex do Guarujá. Ele seria solto 580 dias depois, em 8 de novembro de 2019.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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