Boato resgata fotos antigas da Cracolândia para atacar combate ao coronavírus
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Boato resgata fotos antigas da Cracolândia para atacar combate ao coronavírus

Imagens de até três anos atrás são utilizadas para dar a impressão de que são atuais

Pedro Prata

30 de abril de 2020 | 11h45

Leia a versão em espanhol

Fotos antigas da Cracolândia, no centro de São Paulo, foram resgatadas em uma postagem no Facebook para criticar a política de isolamento social e o combate à pandemia do novo coronavírus. O Estadão Verifica usou o mecanismo de pesquisa reversa do Google e identificou que todas as imagens foram registradas antes da crise causada pela Covid-19.

“Num país chamado Cracolândia segue a vida normal, sem quarentena sem óbitos, comércio bombando”, diz o post feito em 17 de abril. Até o momento desta checagem, a postagem já havia sido visualizada mais de 280 mil vezes.

Fotos antigas foram utilizadas de modo a parecerem atuais. Foto: Reprodução

Uma das fotos foi feita pelo fotógrafo Joel Silva, da Folhapress, e mostra uma vista aérea da região. A pesquisa reversa do Google identificou que ela foi veiculada pelo jornal britânico The Guardian para ilustrar uma matéria sobre a Cracolândia em 28 de novembro de 2017.

Outra imagem mostra usuários de crack ocupando a praça Princesa Isabel, na avenida Rio Branco, a poucos metros da Cracolândia. A repórter Gabriela Biló tirou a foto em 29 de maio de 2017 e ela foi usada na reportagem “Moradores barram plano da nova Cracolândia”. Outra foto disponível no site Fotos Públicas foi tirada no mesmo local dois dias depois pelo fotógrafo Juarez Santos.

Foto foi tirada em 2017 na praça Princesa Isabel, no Centro de São Paulo. Foto: Gabriela Biló/Estadão

A imagem de uma rua tomada por pertences dos usuários de drogas foi tirada pelo repórter Bruno Santos, também da Folhapress. Ela foi usada na matéria “Tráfico ‘testa’ policiamento e ensaia retomar ações na cracolândia de SP”, publicada em 2 de agosto de 2017.

O fotógrafo Edu Ribeiro, do portal R7, é o autor da foto mais recente. Ela foi publicada em matéria de 20 de julho de 2018 sobre a tentativa da prefeitura de São Paulo de cadastrar os usuários de droga da região.

Estadão Verificahavia checado uma das fotos da Cracolândia que aparece no post enganoso. A imagem é de 2017 e foi feita pelo fotógrafo Alex Silva, do Estado.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

Versão em espanhol

Texto traduzido pelo LatamChequea, grupo colaborativo que reúne dezenas de fact-checkers da América Latina no combate à desinformação relacionada ao novo coronavírus.

Rumor rescata fotos viejas de Cracolândia para atacar la lucha contra el coronavirus

En una publicación en Facebook se rescataron fotos viejas de Cracolândia, en el centro de San Pablo, para criticar la política de aislamiento social y la lucha contra la pandemia del nuevo coronavirus. Estadão Verifica usó el mecanismo de búsqueda reversa de Google e identificó que todas las imágenes fueron tomadas antes de la crisis causada por la Covid-19.

“En un país llamado Cracolândia sigue la vida normal, sin cuarentena, sin muertes, el comercio re bien”, dice la publicación hecha el 17 de abril. Hasta el momento de esta verificación, se había visualizado más de 280.000 veces.

Una de las fotos fue tomada por el fotógrafo Joel Silva, de Folhapress, y muestra una vista aérea de la región. La búsqueda reversa de Google identificó que fue publicada por el periódico británico The Guardian para ilustrar un artículo sobre Cracolândia del 28 de noviembre de 2017.

Otra imagen muestra consumidores de crack ocupando la plaza Princesa Isabel, en la avenida Río Branco, a pocos metros de Cracolândia. La periodista Gabriela Biló sacó la foto el 29 de mayo de 2017 y se usó en el artículo “Habitantes cierran el plano de la nueva Cracolândia”Otra foto disponible en el sitio Fotos Públicas fue sacada en el mismo lugar dos días después por el fotógrafo Juarez Santos.

La imagen de una calle tomada por las pertenencias de los consumidores de drogas la sacó el periodista Bruno Santos, también de Folhapress. Se la utilizó en el artículo “Tráfico ‘testea’ el control policial y ensaya retomar la acción en la cracolândia de SP”, que se publicó el 2 de agosto de 2017.

El fotógrafo Edu Ribeiro, del portal R7, es el autor de la foto más reciente. Fue publicada en el artículo del 20 de julio de 2018 sobre el intento de la alcaldía de San Pablo de registrar a los consumidores de droga de la región.

Estadão Verifica ya había chequeado una de las fotos de Cracolândia que aparece en la publicación engañosa. La imagen es de 2017 y fue tomada por el fotógrafo Alex Silva, del Estado.

 

 

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