Boato resgata falso registro de árvore que dá ‘flores em forma de mulher’

Boato resgata falso registro de árvore que dá ‘flores em forma de mulher’

Botânicos não reconhecem espécie; imagem pode ser de escultura vendida a turistas na Tailândia

Tiago Aguiar e Victor Pinheiro, especial para o Estadão

20 de fevereiro de 2021 | 16h00

Fotos de uma escultura estão sendo compartilhadas nas redes sociais com a falsa indicação na legenda de que são de uma espécie rara de flor em forma de mulher. O boato, que já circulou em outros idiomas, tem diversas versões em português e desde 2016 é atribuído a diferentes aldeias e regiões do planeta.

Não é possível encontrar o primeiro registro da imagem na internet por ferramentas de busca reversa. De acordo com o site americano de fact-checking Hoax Slayer, a peça de desinformação começou a circular no dia 1° de abril de 2008, indício de que pode ter nascido como uma “pegadinha”.

O Estadão Verifica também enviou a fotografia para a Sociedade Botânica do Brasil (SBB). A professora Milene Maria da Silva Castro, especializada em botânica e primeira secretária da SBB, respondeu em nota que de fato a imagem não é de nenhuma espécie de planta.

Um site sobre cultura tailandesa indica que a “mulher fruta” na verdade é um tipo de tubérculo ou vagem encontrado no Laos que é seco, esculpido em formas humanas e vendido a turistas. A prática é inspirada em uma figura mitológica chamada Nareepol, descrita em textos religiosos da região.

Este conteúdo também foi verificado pelo E-farsas e pelo Boatos.org.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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