Boato que associa falsamente Haddad a frase sobre gênero de crianças volta a circular nas redes
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Boato que associa falsamente Haddad a frase sobre gênero de crianças volta a circular nas redes

Petista não afirmou que meninos de 5 anos são 'propriedade do Estado'; informação falsa é compartilhada desde eleições de 2018

Tiago Aguiar

28 de setembro de 2020 | 12h39

Não é verdade que Fernando Haddad (PT) tenha afirmado que o governo deve decidir sobre o gênero de crianças. Uma peça de desinformação que voltou a circular nas redes sociais no último dia 24 afirma que o petista teria dito que “ao completar cinco anos, a criança passa a ser propriedade do Estado” e que cabe ao governo “decidir se menino será menina e vice-versa”. As alegações são falsas.

Em ferramentas de busca não há qualquer registro de declaração ou texto sequer parecido. Este boato circulou inicialmente em 2018, logo após a confirmação da candidatura de Haddad à Presidência. Conforme mostrou o Estadão Verifica em parceria com o Projeto Comprova naquele ano, a assessoria do petista também negou que ele tenha feito as declarações ou as escrito em qualquer obra.

Na ocasião, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ordenou que a postagem fosse retirada do ar do Facebook.

A peça é uma reedição de um boato que circulou em fevereiro de 2017, baseado em uma declaração de Deborah Duprat, procuradora federal dos Direitos do Cidadão. A frase de Deborah foi tirada de contexto para insinuar que ela teria dito que as crianças são propriedade do Estado. Na realidade, ao defender a inconstitucionalidade do projeto Escola Sem Partido, ela afirmou ser “equivocada” a percepção de que a família tem “poder absoluto sobre a criança” e que a “Constituição diz que a criança é um problema da família, da sociedade e do Estado”.

Este conteúdo também foi checado pela Agência Lupa, Aos Fatos, Boatos.org, UOL Confere, Polígrafo e Fato ou Fake.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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