Boato insinua que políticos brasileiros se aliaram a Macron para ‘internacionalizar’ Amazônia
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Boato insinua que políticos brasileiros se aliaram a Macron para ‘internacionalizar’ Amazônia

Bolsonaro tem questionado o interesse do presidente francês em ajudar a combater os incêndios na Amazônia

Alessandra Monnerat

29 de agosto de 2019 | 15h52

O presidente da França, Emmanuel Macron, durante o G-7, em Biarritz, nesta segunda Foto: Bertrand Guay/AFP

É falso que políticos de esquerda brasileiros tenham assinado um documento encaminhado ao G-7 pelo presidente francês, Emmanuel Macron, pedindo medidas de “internacionalização” ou “invasão” da Amazônia. O boato circula em redes sociais e grupos de WhatsApp. Na verdade, deputados e senadores de PT e PSOL publicaram um artigo no jornal francês Libération que pedia que a França rejeitasse o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, condicionando o livre comércio entre os dois blocos à adoção de normas mais restritivas no campo ambiental e trabalhista. O texto foi publicado no dia 27 de julho, antes da crise internacional causada pelo aumento nas queimadas na Amazônia.

Os 51 signatários do manifesto são, em sua maioria, políticos franceses dos partidos Europe Écologie Les Verts (EELV) e La France Insoumisse (FI), ambos de oposição a Macron.

Os dez brasileiros que assinam o texto são, em ordem alfabética: Guilherme Boulos, ex-candidato à Presidência pelo PSOL e líder do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST); Glauber Braga, deputado federal (PSOL-RJ); Humberto Costa, senador (PT-PB); Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores do Brasil (CUT); Gleisi Hoffmann, presidente do PT e deputada federal (PR); David Miranda, deputado federal (PSOL-RJ); Taliria Petrone, deputada federal (PSOL-RJ); Paulo Pimenta, deputado federal (PT-RS); João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST); e Ivan Valente, deputado federal (PSOL-SP).

O manifesto foi publicado na ocasião da viagem do ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Yves Le Drian, ao Brasil. No texto, os signatários argumentam que o acordo entre Mercosul e UE pode “dizimar” a indústria local, já que facilitaria a exportação de matérias-primas para a Europa e a importação de manufaturados à América do Sul. Porém, o principal argumento apresentado contra o tratado comercial é o de que o presidente Jair Bolsonaro não tem se comprometido com a política ambiental e ameaçou sair do Acordo de Paris contra as mudanças climáticas.

“Cumprir os princípios do Acordo de Paris requer determinação política e compromisso inabalável com a luta contra o aquecimento global. Isso é notoriamente ausente no governo de Jair Bolsonaro. Lamentamos profundamente que o Presidente Macron, que fervorosamente afirma ser o líder mundial na proteção do meio ambiente, se recuse a ver essas evidências”, afirma o manifesto.

Os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e da França, Emmanuel Macron, vêm trocando farpas desde que a crise de incêndios florestais na Amazônia tomou as manchetes do mundo Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil e François Mori/AP

Macron não enviou um documento ao G-7, grupo de países mais ricos do mundo, pedindo a internacionalização da Amazônia. Na verdade, o presidente francês afirmou que a medida pode ser discutida caso líderes da região amazônica tomem decisões prejudiciais ao restante do globo. “Este não é o quadro da iniciativa que estamos tomando, mas é uma questão real que se impõe se um Estado soberano tomar medidas concretas que obviamente se opõem ao interesse de todo o planeta”, disse Macron.

O G-7 desbloqueou, na segunda-feira, 26, uma ajuda emergencial de US$ 20 milhões para apoio ao combate dos incêndios na Amazônia. Bolsonaro questionou o interesse internacional em ajudar a diminuir os incêndios na floresta: “Será que alguém ajuda alguém, a não ser uma pessoa pobre, sem retorno? O que ele (Macron) está de olho na Amazônia?”

Agência Lupa e Aos Fatos também checaram este conteúdo enganoso.

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