Boato distorce fala de Boni sobre Bolsonaro durante entrevista no Roda Viva
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Boato distorce fala de Boni sobre Bolsonaro durante entrevista no Roda Viva

Ex-diretor da TV Globo não disse que emissora poderia 'derrubar o presidente', ao contrário do que afirmam postagens nas redes sociais

Tiago Aguiar

21 de setembro de 2020 | 18h23

Um boato no Facebook inventa uma declaração do ex-diretor da Rede Globo José Bonifácio de Oliveira, o Boni, durante entrevista do programa Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda-feira, 14. A postagem analisada alega que Boni “afirmou que a Globo pode tirar Jair Bolsonaro da Presidência, caso a concessão da emissora não for (sic) renovada em 2022″, o que não é verdade.

Imagens publicadas no Facebook com a citação falsa são, na verdade, tiradas de um texto não assinado do blog Roteiro de Notícias. O artigo menciona uma frase de fato dita por Boni, mas o título distorce o teor da fala.

Na entrevista, o ex-diretor da Globo foi questionado diretamente sobre a possibilidade de não renovação ou de cassação da concessão pública da emissora, hipótese levantada pelo presidente Jair Bolsonaro em outras ocasiões. A concessão da Globo vence em outubro de 2022. Boni avaliou que, se Bolsonaro decidisse pela não renovação, seria uma medida potencialmente muito impopular, por conta do valor atribuído ao canal pela população brasileira.

“Não acho possível cassar a TV Globo pela penetração que tem, pelo respeito que as pessoas têm, pelos serviços que prestou ao Brasil”, disse ele. Em seguida, o ex-diretor afirmou que o efeito causado seria “pior que uma revolução”. “Quem tentasse cassar a TV Globo estaria jogando para perder, porque o valor que o entretenimento e a informação, especialmente a informação, têm para o público é inestimável. E seria um desastre total punir a competência. Não se pode punir a verdade”, continuou.

Em nenhum momento Boni diz diretamente que a Globo pode “derrubar” Bolsonaro, como alegam as postagens analisadas.

Além do presidente, a não renovação de uma concessão de emissora de rádio ou TV precisa ser autorizada por dois quintos do Congresso em votação nominal. Em abril deste ano, o Estadão Verifica checou conteúdos que desinformavam a respeito do cancelamento de concessões públicas de emissoras de TV, também a partir de boatos relacionando Bolsonaro e a Rede Globo.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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