Boato cita ‘Marcha para Satanás’ para atacar partidos de esquerda
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Boato cita ‘Marcha para Satanás’ para atacar partidos de esquerda

Imagens de ato que ocorreu em 2016 voltaram a circular no Facebook em postagem que falsamente aponta participação de legendas como PT, PCdoB, PSOL e Rede

Gabi Coelho, especial para o Estado

18 de setembro de 2020 | 17h25

Não é verdade que uma manifestação chamada de “Marcha para Satanás” tenha sido organizada por legendas como o Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e Rede Sustentabilidade (Rede). Um vídeo do ato, organizado no dia 17 de janeiro de 2016 na Avenida Paulista, voltou a circular esta semana em uma postagem no Facebook que acusa a participação de partidos de esquerda.

Reportagens publicadas na época sobre a marcha, como esta da Veja SP, indicam que a convocação foi feita pelas redes sociais, por uma página do Facebook. Não há menção sobre envolvimento de partidos políticos. O encontro também ocorreu em outras cidades do País e teve como objetivo protestar contra a influência da bancada evangélica com pautas conservadoras no Congresso. No vídeo analisado, os participantes gritam contra o pastor Silas Malafaia, o bispo evangélico Edir Macedo e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Na agenda oficial dos partidos citados no post, não há menção à “Marcha para Satanás” nos últimos anos. Entre os presentes na manifestação, estava Antônio Aparecido Firmino, mais conhecido como Toninho do Diabo. Ele foi candidato em 2014 a deputado federal pelo partido Solidariedade. 

O Estadão Verifica entrou em contato com todos os partidos citados na postagem. Em nota, PSOL e Rede negaram que tenham participado da “Marcha para Satanás”. “Ficamos indignados diante de mais essa fake news que tem apenas o intuito de caluniar e destruir a imagem de pessoas e instituições”, comunicou o PSOL.

Até o momento desta publicação, PCdoB e PT não enviaram uma resposta.

O Boatos.org também publicou uma checagem sobre o assunto. 

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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