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Boato atribui a Lulu Santos autoria de texto que reclama de benefícios a deputados

Corrente do WhatsApp já circulou com o nome de personalidades como Mr. Catra, Miriam Leitão e Sérgio Reis

Alessandra Monnerat e Caio Sartori

17 de julho de 2018 | 05h00

Boatos na internet frequentemente se valem de nomes conhecidos para fazer com que mais pessoas compartilhem uma determinada mensagem. O último alvo é o cantor Lulu Santos, personagem de uma corrente de WhatsApp que chegou diversas vezes na última semana ao número do Estadão Verifica — (11) 99263-7900. Na mensagem repassada no aplicativo, o cantor supostamente reclama dos benefícios concedidos a parlamentares e dos baixos salários de certas profissões. Mas o texto é antigo e já foi atribuído a outras personalidades. 

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O próprio Lulu chegou a desmentir o boato em maio deste ano no Twitter. No entanto, não foi o suficiente para a mensagem parar de circular. Veja nossa verificação sobre o que é mencionado:

Quanto recebem bombeiros, policiais, professores e médicos?

O boato enumera uma série de salários atribuídos às profissões acima: R$ 3.660,00 para policiais, R$ 3.960,00 para bombeiros, R$ 2.200,00 para professores e R$ 9.260,00 para médicos. No entanto, esses cargos costumam depender de pisos estaduais — ou seja, variam de acordo com a unidade da federação.

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No caso de São Paulo, o menor piso dos bombeiros é o de salva-vidas, fixado em R$ 1.405,52. Já o salário-base mais alto dentro da corporação é o de bombeiro civil mestre, de R$ 7.107,04. No Estado, um sargento de 2ª classe da Polícia Militar tem salário inicial de R$ 2.452,06, enquanto o comandante-geral tem piso de 13.831,61, segundo a central de recursos humanos.

No caso dos professores, o Ministério da Educação (MEC) fixou para 2018, em âmbito nacional, um piso de R$ 2.455,35 para professores públicos. Os médicos, por sua vez, têm um piso estabelecido pela Federação Nacional dos Médicos (FENAM): R$ 14.134,58 para 20 horas semanais de trabalho.

Quais são os benefícios concedidos a deputados?

É verdade que os parlamentares recebem benefícios além do salário. No entanto, o texto cita alguns dados errados e inventa auxílios inexistentes. Atualmente, os deputados recebem R$ 33.763,00 por mês — mais do que os R$ 26.700,00 citados na corrente. Além disso, eles ganham no início e no final de seus mandatos ajuda de custo para mudança e transporte.

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Os parlamentares também têm direito a reembolsar despesas médicas de qualquer valor — acima de R$ 50 mil, estão sujeitos à deliberação do segundo-vice-presidente da Casa. Outras despesas que podem ser reembolsadas são as de diárias e passagens para missões oficiais. Além disso, eles podem imprimir até 120 mil páginas em preto e branco e 10 mil coloridas por semestre, nas chamadas cotas gráficas. Órgãos da Casa podem pedir ainda o fornecimento de jornais, revistas e publicações técnicas. Os deputados em posições de liderança também têm direito a usar carros da Câmara durante os dias de expediente, para percorrer distâncias de até 100 quilômetros. Nenhum desses benefícios foi mencionado no texto.

Para o deputado que não mora em um dos 432 imóveis funcionais da Casa, existe ainda o auxílio-moradia, no valor de R$ 4.253,00 — abaixo dos R$ 22 mil citados no boato. Os parlamentares também têm verba de gabinete de até R$ 92.053,20 para contratar 25 funcionários — menos que os R$ 94,3 mil mencionados na corrente.

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Finalmente, os deputados têm direito à cota para o exercício da atividade parlamentar (CEAP), que variam por Estado — a cota mais cara é a dos roraimenses, de R$ 45.240,67, e a mais barata, dos deputados do Distrito Federal, de R$ 30.416,80. Cargos de liderança recebem ainda adicionais, que vão de R$ 902,02 (Vice-Líder da Minoria ou do Governo) a R$ 5.075,62 (Suplente de Secretário da Mesa).

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A afirmação feita pelo boato é obviamente um exagero — segundo o IBGE, 64,7% da população acima de 10 anos têm acesso à internet. Vale lembrar que mensagens alarmistas e que pedem compartilhamento podem ser sinais de fake news. Fique atento também para detectar erros de português e frases vagas, sem indicação de fontes.