Pai de Bill Gates era advogado, e não lenhador, como diz postagem falsa

Pai de Bill Gates era advogado, e não lenhador, como diz postagem falsa

No Facebook, circula anedota que afirma que o magnata da Microsoft teria dado uma gorjeta baixa em um restaurante por ter origem humilde; na verdade, o americano cresceu em família de classe média alta e estudou em escolas caras

Pedro Prata

03 de novembro de 2021 | 11h01

Uma anedota viralizou nas redes sociais afirmando que o bilionário Bill Gates teria dado uma gorjeta de US$ 5 em um restaurante. Segundo as postagens, Gates teria dado uma lição sobre economia de gastos ao dizer para o garçom que o valor da gorjeta era baixo porque ele era filho de um lenhador.

No entanto, não há qualquer evidência que isso tenha ocorrido de verdade: a mãe de Gates era professora e o pai, advogado. Um dos posts com essa história foi compartilhado ao menos 1,4 mil vezes no Facebook.

Bill Gates, fundador da Microsoft Foto:Chona Kasinger/The New York Times

Segundo a postagem, o bilionário foi a um restaurante com a filha; enquanto ela deu uma gorjeta de US$ 500, ele ofereceu apenas US$ 5 ao garçom. O post atribui a Gates a seguinte justificativa: “ela é filha do homem mais rico do mundo, mas eu sou filho de um lenhador”.

Bill Gates nasceu em Seattle, em 1955. Em um site pessoal, descreve a família como “incrível e apoiadora”. O co-fundador da Microsoft era filho de William H. Gates Sr., advogado, e Mary Gates, professora escolar. Com a ex-mulher, Melinda Gates, Bill teve duas filhas e um filho: Jennifer Katharine, Phoebe Adele e Rory John.

O bilionário frequentou a Lakeside School, uma escola de elite de Seattle. Em 2021-2022, o valor anual da matrícula é de US$ 38.160. Posteriormente ingressou em Harvard, uma das instituições de ensino superior mais prestigiadas no mundo, para fundar a empresa Microsoft.

Gates não é o homem mais rico do mundo atualmente. Esse posto é de Jeff Bezos, dono da Amazon, que tem fortuna de US$ 177 bilhões, segundo a Forbes. O co-fundador da Microsoft está em quarto lugar, com US$ 124 bilhões.

O site de checagens Snopes encontrou versões diferentes da mesma história creditadas a outros magnatas, como o americano John D. Rockefeller. Este conteúdo também foi checado por Boatos.org, India Today e Africa Check.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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