Benedita da Silva e Brizola não são os únicos ex-governadores do Rio que não foram presos
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Benedita da Silva e Brizola não são os únicos ex-governadores do Rio que não foram presos

Boato que circula nas redes sociais omite os nomes de Marcello Alencar e Nilo Batista, que também não foram afastados da função

Tiago Aguiar

01 de setembro de 2020 | 15h53

Não é verdade que Leonel Brizola (PDT) e Benedita da Silva (PT) sejam os únicos os ex-governadores do Rio de Janeiro dos últimos 30 anos que não foram afastados do cargo ou presos. O boato ganhou tração desde a última sexta-feira, 28, após a repercussão do afastamento de Wilson Witzel (PSC) do governo do Estado. No entanto, variações dessa alegação enganosa já circulavam há alguns anos.

Em 1982, ocorreram as primeiras eleições estaduais diretas no Brasil desde a Ditadura Militar. Considerando o período de 1983 até 2020, além de Brizola e Benedita não foram afastados da função ou presos Nilo Batista (PDT) e Marcello Alencar (PSDB). Ainda é possível citar o exemplo de Francisco Dornelles (PP), que assumiu o cargo interinamente por duas vezes.

Batista foi vice de Brizola entre 1991 e abril de 1994. Ele governou o Estado por nove meses, depois que Brizola deixou o cargo para disputar a Presidência da República. Já Alencar cumpriu mandato entre 1995 e 1999, pelo PSDB. Ele faleceu em 2014.

Brizola foi eleito governador do Rio duas vezes: em 1982 e 1990. No primeiro mandato, seu vice era o antropólogo Darcy Ribeiro. Benedita, por sua vez, ocupou a função entre 2002 e 2003, depois que Anthony Garotinho deixou o cargo para concorrer a presidente.

Dornelles assumiu a chefia do Executivo fluminense interinamente por duas vezes. Na primeira, ocupou o cargo por problemas de saúde do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), em 2016. Voltou a comandar o Estado após a prisão de Pezão, em novembro de 2018.

Pezão foi acusado pela Operação Lava Jato de ter recebido propina de R$ 39 milhões. Ele governou o Estado entre janeiro de 2015 e novembro de 2018. Hoje está solto e se defende na Justiça.

Sérgio Cabral Filho (PMDB, 2007-2014) foi preso em 2017. As investigações, desdobradas em ações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, já geraram 14 condenações — ao todo, a pena do ex-governador é de 294 anos de cadeia. Esse número, porém, pode subir, porque há outras investigações e ações penais em curso. Cabral e Pezão respondem por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Rosinha Garotinho (PSB e PMDB, 2003-2006) e Anthony Garotinho (PDT e PSB, 1999-2002) também foram presos recentemente. O ex-governador foi preso pela primeira vez em novembro de 2016, acusado de corrupção eleitoral em Campos dos Goytacazes. Garotinho foi solto, mas a mesma operação o reconduziu ao cárcere em setembro de 2017. Depois disso, ele conseguiu prisão domiciliar. Dois meses depois, teve nova prisão decretada, juntamente com Rosinha, desta vez com relação a uma suposta arrecadação ilegal de fundos de campanha. Ambos foram soltos, mas, em novembro de 2019, voltaram por breve período à prisão, acusados de superfaturamento na prefeitura campista.

Wellington Moreira Franco (PMDB, 1987-1991), que também foi ministro dos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer, ficou na cadeia por menos de uma semana. Em março de 2019, o Ministério Público Federal o denunciou por corrupção. Foi libertado por liminar do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) e ainda responde ao processo em liberdade.

Nilo Batista, Benedita da Silva e Francisco Dornelles foram eleitos como vice. Entre os eleitos na cabeça de chapa, só Brizola e Alencar não enfrentaram processos na Justiça.

Benedita foi acusada de improbidade administrativa enquanto gestora da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, na gestão de Sérgio Cabral. A pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, desde 2015 seus bens estão bloqueados e seu sigilo fiscal e bancário foi quebrado. No entanto, nenhum processo judicial sobre o caso ainda foi aberto.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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