Barroso desmente boato de que teria apoiado manifestações pró-Bolsonaro: ‘não falo sobre varejo político’

Texto compartilhado mais de 12 mil vezes no Facebook inventou que ministro do STF teria defendido presidente

Alessandra Monnerat

17 de março de 2020 | 13h48

Um texto compartilhado mais de 12 mil vezes no Facebook alega que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso teria defendido a atitude do presidente Jair Bolsonaro durante as manifestações pró-governo do último domingo, 15. O presidente interagiu com ao menos 272 apoiadores na frente do Palácio do Planalto, contrariando recomendação de isolamento para evitar risco de contaminação pelo novo coronavírus. Em vídeo divulgado pelo STF nesta terça-feira, 17, Barroso negou que tenha feito qualquer declaração sobre o assunto.

“Essas informações são completamente falsas”, afirmou Barroso. “Eu jamais me pronunciei sobre esse assunto. Como ministro do STF, o foco da minha atenção é a defesa das instituições democráticas e a proteção dos direitos fundamentais. Eu não falo sobre varejo político”.

O ministro também chamou a atenção sobre a importância de não compartilhar boatos falsos: “É preciso conferir a autenticidade das informações, senão o mundo será dominado pelas pessoas incorretas”.

Médicos especializados em doenças infecciosas criticaram o fato de Bolsonaro ter desrespeitado a quarentena e ter exposto os manifestantes ao risco de contaminação pela covid-19. Até mesmo parlamentares que apoiaram a eleição do presidente em 2018, como Alexandre Frota (PSDB) e Janaína Paschoal (PSL), criticaram Bolsonaro.

Durante os atos pró-governo, manifestantes pediram o fechamento do STF e atacaram ministros. O presidente da Corte, Dias Toffoli, evitou comentar sobre o assunto na segunda-feira, 16.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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