Autoridade sanitária norueguesa diz não haver vínculo estabelecido entre vacina e mortes de idosos

Autoridade sanitária norueguesa diz não haver vínculo estabelecido entre vacina e mortes de idosos

No país europeu, 13 pessoas acima de 80 anos imunizadas morreram, mas até o momento não há evidência que vacinação tenha causado esses óbitos

Estadão Verifica

19 de janeiro de 2021 | 17h44

Não há vínculo estabelecido entre o imunizante da Pfizer/BioNTech contra covid-19 e a morte de pessoas vacinadas na Noruega, de acordo com a autoridade sanitária do país europeu. Desde o início da campanha de vacinação, no final de dezembro, 33 idosos que receberam a primeira dose morreram, mas até o momento não há evidências que a vacina tenha causado esses óbitos. Nas redes sociais, esses casos têm sido compartilhados com o objetivo de levantar dúvidas sobre a segurança da vacinação. Leitores pediram esclarecimentos a respeito do tema por meio do WhatsApp do Estadão Verifica, 11 97683-7490.

A diretora da autoridade de saúde norueguesa, Camilla Stoltenberg, disse em coletiva de imprensa nesta segunda-feira que 13 das mortes analisadas de forma mais abrangente até agora eram de “pessoas muito idosas, frágeis e gravemente doentes”. Desses, todos tinham acima de 80 anos, alguns mais de 90. Mais de 48 mil pessoas já foram vacinadas na Noruega.

Svein Andersen (67), que recebeu a primeira dose de vacina Pfizer/BioNTech da Noruega, ganhou a segunda dose do imunizante no domingo, 17 de janeiro. Foto: EFE/EPA/TORSTEIN BOE NORWAY OUT

“Em relação às causas das mortes, não houve análise”, esclareceu Camilla. “Mas, o mais importante é lembrar que 45 pessoas morrem todos os dias em lares de idosos na Noruega. Por isso, não está estabelecido que haja excesso de mortalidade ou que [as mortes] estejam relacionadas a vacinas”.

A autoridade de saúde da Noruega recomenda a realização de uma avaliação médica em idosos e pessoas frágeis antes da vacinação. Na última quinta-feira, 14, a Agência Norueguesa de Medicações listou febre e náusea como efeitos colaterais que poderiam ter contribuído para as mortes de pacientes já fragilizados.

“Não estamos alarmados com isso. É bastante claro que essas vacinas têm muito pouco risco, com uma pequena exceção para os pacientes mais frágeis”, disse Steinar Madsen, diretor médico da agência, na ocasião. “Os médicos devem agora considerar cuidadosamente quem deve ser vacinado. Aqueles que são muito frágeis ou têm idade muito avançada podem ser vacinados após uma minuciosa avaliação”.

Ao site de fact-checking norueguês Faktisk, o médico-chefe da agência, Sigurd Hortemo, acrescentou que as mortes de vacinados são registradas em prol da segurança, mas nem todas são consideradas ligadas à vacinação. “Em várias dessas mortes, a pessoa que faz o registro informa que não suspeita de nenhuma ligação com a vacina, e que a causa da morte foi por uma condição médica já existente, mas registraram a morte de qualquer forma”, disse ao Faktisk.

Madsen já havia dito anteriormente ao Faktisk que há diferença entre relação causal e de tempo. Ou seja: não é porque um fato ocorre depois do outro que fica estabelecida relação de causa e consequência. O médico enfatizou que muitos dos residentes de lares de idosos que foram vacinados não tinham expectativa de vida muito longa.

A Pfizer e a BioNTech disseram à AFP na segunda-feira “que trabalham em conjunto com a agência farmacêutica norueguesa para recolher todas as informações relevantes”. As empresas lembraram ainda que no país nórdico a campanha começou com a vacinação de idosos que residem em casas de saúde. “A maioria deles são muito idosos, com doenças que em alguns casos são terminais por natureza”, enfatizou a Pfizer. / COM INFORMAÇÕES DA AFP

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