Ataques à memória de Marielle incluem tentativa de vincular sua morte ao tráfico de drogas
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Ataques à memória de Marielle incluem tentativa de vincular sua morte ao tráfico de drogas

Linha atual de investigação apura envolvimento da milícia Escritório do Crime na morte da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes

Pedro Prata

09 de março de 2020 | 15h06

Uma postagem no Facebook, compartilhada mais de 1,2 mil vezes até esta segunda-feira, 9, distorce informações relativas à investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e engana ao dizer que pessoas ligadas ao tráfico de drogas seriam as responsáveis por sua morte. As linhas de investigação atuais apuram o envolvimento da milícia Escritório do Crime no assassinato.

A vereadora e seu motorista Anderson Gomes foram mortos em 14 de março de 2018 no Estácio, região central da cidade do Rio de Janeiro.

Homenagem a Marielle Franco em São Paulo Foto: Amanda Perobelli/Reuters

No mês em que se completou um ano do crime, o PM reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-PM Élcio Vieira Queiroz, de 46, foram denunciados e acusados de ser os assassinos. Lessa teria sido o autor dos disparos, ao passo que Queiroz teria dirigido o carro que o levava. Ambos estão presos preventivamente desde 2019. A Promotoria pediu que eles sejam levados a júri popular.

O próximo passo das investigações seria apontar os mandantes do assassinato. Nesse sentido, as investigações apuram o envolvimento do Escritório do Crime, milícia que comanda esquemas de grilagem de terras na zona norte do Rio e da qual fazia parte Ronnie Lessa.

Domingos Brazão

Já no apagar das luzes de seu mandato, a ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge apresentou denúncia contra o delegado da Polícia Federal Hélio Khristian Cunha de Almeida por obstrução das investigações do caso Marielle. Ainda segundo Dodge, ele seria participante de um esquema montado por Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio.

De acordo com Raquel, foram colhidas provas de que Brazão teria influído no caso para evitar que os culpados pelos assassinatos da vereadora e seu motorista fossem identificados, enquanto buscava incriminar o miliciano Orlando Araújo e o vereador Marcelo Siciliano.

Domingos foi deputado estadual carioca pelo PMDB, mesmo partido do ex-governador Sergio Cabral.

Não é verdade que o PSOL tenha silenciado diante da falta de respostas sobre o assassinato de Marielle, como alega a postagem. O partido tem uma linha do tempo em seu site na qual destaca momentos marcantes dos dois anos posteriores à morte dela. Marcelo Freixo, amigo de Marielle, continua atuando com a família da vereadora para demandar uma solução para o crime.

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