Ataque a carro não tem relação com suposto adesivo de Bolsonaro
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Ataque a carro não tem relação com suposto adesivo de Bolsonaro

Vídeo é de maio de 2017 e foi feito quando uma motorista tentou furar protesto contra Michel Temer

Estadão Verifica

13 Setembro 2018 | 18h29

checagem abaixo foi publicada pelo Projeto Comprova. A verificação foi realizada por uma equipe de jornalistas do UOL e Gazeta Online. Outras redações concordaram com a checagem, no processo conhecido como “crosscheck”: Estadão e Poder 360.

Projeto Comprova é uma coalizão de 24 veículos de mídia com o objetivo de combater a desinformação durante o período eleitoral. Você pode sugerir checagens por meio do número de WhatsApp (11) 97795-0022.

Ao contrário do que sugerem postagens que viralizaram nas redes sociais, um vídeo que mostra manifestantes atacando um carro branco não é de protesto em razão do automóvel ter um adesivo de apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). O ataque, na verdade, teve lugar em manifestação que pedia a renúncia de Michel Temer, em maio de 2017, em Goiânia (GO), e ocorreu após uma motorista tentar furar o bloqueio organizado por centrais sindicais, movimentos sociais e outras entidades.

O vídeo viral, de um minuto, usou o trecho entre 55s e 1m55s de um outro, de dois minutos e 46 segundos, publicado pelo G1 no dia 18 de maio de 2017. O portal noticiou o protesto pela renúncia de Temer e registrou a confusão ocorrida nos cruzamentos entre as avenidas Anhanguera e Goiás. O vídeo, que acompanha textos falsos sobre inexistente ataque a apoiador de Bolsonaro, tem a logomarca do site de notícias em seu canto inferior direito.

Outros jornais noticiaram a confusão no protesto do ano passado contra Temer (aquiaqui e aqui), alvo de denúncias de corrupção. Nenhum deles faz qualquer menção ao candidato Bolsonaro ou a adesivo supostamente colado no veículo que teve os vidros destruídos. No conflito, dois manifestantes foram atropelados pela motorista que tentou seguir adiante em meio ao protesto.

No dia anterior ao ato realizado em Goiás, foi tornada pública a gravação, feita em março, de uma conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente da República. No diálogo, Joesley relatou a Michel Temer, entre outras coisas, que estava pagando para que o ex-deputado Eduardo Cunha permanecesse calado. A resposta do presidente foi: “’Tem que manter isso, viu?”

O vídeo, acompanhado do texto com a informação falsa, somente em duas contas no Twitter, teve mais de 30 mil visualizações, 2,6 mil curtidas e 1,5 mil retuítes nesta semana. No Facebook, um post com o vídeo teve 1,3 milhão de visualizações, 4,5 mil curtidas e 74 mil compartilhamentos no mesmo período.

Neste post do Facebook, o ataque ao eleitor de Bolsonaro é atribuído a apoiadores de Fernando Haddad e Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT. Essa informação também é enganosa, uma vez que a manifestação em Goiânia não tinha relação com a campanha eleitoral.

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