Apreensão de dinheiro não foi gravada na casa de secretário da Saúde de Belém
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Apreensão de dinheiro não foi gravada na casa de secretário da Saúde de Belém

Vídeo foi feito durante operação do Ministério Público Militar contra PMs no Pará

Pedro Prata

22 de junho de 2020 | 13h53

Um vídeo que mostra a Polícia Civil do Pará encontrando grande quantidade de dinheiro no forro do teto de uma casa não foi gravado na residência do secretário de Saúde de Belém, Sérgio de Amorim Figueiredo. Na verdade, a gravação está relacionada a uma investigação do Ministério Público Militar contra seis policiais militares. O Estadão Verifica recebeu a solicitação de checagem de leitores por meio do WhatsApp (11 99263-7900). O vídeo foi postado no Facebook em 16 de junho e rapidamente viralizou, mesmo com a informação falsa, chegando a 1,6 milhão de visualizações.

Ao analisar o vídeo, foi possível identificar que a ação de fato ocorreu no Pará, uma vez que o policial que aparece nas imagens possui a bandeira paraense em seu uniforme e também o brasão da Polícia Civil.

Utilizamos a ferramenta de verificação de vídeos InVID para rastrear a origem do material. A busca mostrou que o jornal O Liberal havia publicado a gravação na terça-feira, 16, na reportagem “PMs são acusados de desviar e vender cocaína apreendida em Barcarena”.

Vídeo é real, mas operação não tem relação com o secretário de Saúde de Belém. Foto: Reprodução

Na data, a Polícia Civil e a Polícia Militar do Estado cumpriram mandados de busca e apreensão contra seis policiais militares. Três deles foram localizados na ocasião. Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Civil do Pará, foram apreendidos aparelhos celulares e em uma das residências os policiais encontraram grande quantia em dinheiro.

Por WhatsApp, a Polícia Civil confirmou ao Estadão Verifica que o alvo da operação eram os seis PMs e não o secretário de Saúde da capital.

A Polícia Federal investiga suspeitas de desvio das verbas federais destinadas ao combate da pandemia de covid-19  em vários Estados. As operações acabaram motivando desinformação nas redes sociais. No Ceará, posts falsamente relacionaram uma ação da PF com a redução no número de mortos pela covid-19. Os dados apresentados no boato, no entanto, não condizem com a realidade.

Esta verificação também foi feita pela Agência Lupa e pelo Aos Fatos.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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