Após anulação de condenações de Lula, postagem inventa índice inflado de aprovação do ex-presidente

Após anulação de condenações de Lula, postagem inventa índice inflado de aprovação do ex-presidente

Taxa de 93%, espalhada em boato online, é diferente de resultados recentes de pesquisas de opinião

Pedro Prata

11 de março de 2021 | 17h03

É falsa uma postagem no Facebook que diz que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria 93% de aprovação em eventual candidatura para as eleições presidenciais de 2022. Não há qualquer levantamento feito pelos principais institutos de pesquisa que aponte essa taxa. O número inventado viralizou após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin anular todas as condenações do petista na Lava Jato, assim tornando-o elegível. Este conteúdo foi compartilhado ao menos 1,8 mil vezes.

A imagem diz que “Lula dispara nas pesquisas!” e que “93% querem ele presidente em 2022”. Como a postagem não cita a fonte do dado, o Estadão Verifica buscou pesquisas divulgadas na imprensa, mas não encontrou nenhum registro semelhante.

Foto: Reprodução

Em recente pesquisa de opinião que mede o potencial de votos de dez possíveis candidatos nas eleições presidenciais de 2022, feita pelo Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), novo instituto de pesquisas da estatística Márcia Cavallari (ex-Ibope), 50% dos entrevistados disseram que votariam com certeza ou poderiam votar em Lula se ele se candidatasse novamente à Presidência, e 44% afirmaram que não o escolheriam de jeito nenhum.

Esse levantamento não mede a intenção de voto, e sim o potencial de cada candidato, medindo o nível de aceitação de cada político citado. Os entrevistadores perguntam, sobre cada nome citado, se o eleitor votaria nele com certeza, se poderia votar, se não votaria de jeito nenhum ou se não o conhece suficientemente para responder. A pesquisa foi feita de forma presencial, com 2.002 pessoas.

O Instituto Datafolha não divulgou pesquisas de intenção de voto recentemente.

Outros institutos mediram intenção de voto para presidente. A CNN/Real Time Big Data apontou em 10 de março que Lula teria 21% dos votos num eventual primeiro turno contra candidatos como Jair Bolsonaro, Sergio Moro e Ciro Gomes. O instituto ouviu 1.200 pessoas, por telefone.

Já em pesquisa da consultoria Atlas de 11 de março, Bolsonaro aparece com 32,7% num eventual primeiro turno, mas no segundo perderia para Lula, que teria 44,9% dos votos contra 38,8% do atual presidente. A empresa realizou 3.721 entrevistas aleatórias pela internet, que depois foram adequadas à proporção da população brasileira.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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