Ao atacar política externa do governo Lula, texto confunde cidades com países e distorce informação sobre fechamento de embaixadas
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Ao atacar política externa do governo Lula, texto confunde cidades com países e distorce informação sobre fechamento de embaixadas

Corrente compartilhada por aplicativos de mensagem e no Facebook distorce notícia de 2019, quando o ministro Ernesto Araújo reduziu a estrutura diplomática do Brasil no Caribe

Jefferson Perleberg, especial para o Estadão

08 de fevereiro de 2021 | 15h03

Voltou a circular nas redes sociais um texto com informações distorcidas sobre o fechamento de cinco embaixadas em países do Caribe. A mensagem inicia afirmando: “Você já ouviu falar nesses países? ROSEAU… ST JOHN’S… ST GEORGE’S… BASSETERRE… KINGSTOWN… São países que a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar, países em que Lula abriu embaixadas”. O texto é falso. Os nomes não são de países e sim, das cidades onde se localizam as embaixadas. 

Outro trecho da publicação relata que a abertura das embaixadas seria para viabilizar “propinas e boquinhas pros cumpanheiros delirantes do PT” (sic). Não há denúncias de fraudes nos locais citados. Como parte da política externa do governo do ex-presidente Lula, foram abertas 67 novas embaixadas, incluindo as caribenhas, como noticiou o Estadão, O projeto foi liderado pelo ex-chanceler Celso Amorim (PT).

No dia 4 de junho de 2019, o Ministério das das Relações Exteriores, comandado por Ernesto Araújo, fechou as cinco embaixadas citadas no texto que circula nas redes sociais, nas cidades de Roseau (na Dominica), St. John’s (em Antígua e Barbuda), St. George’s (em Granada), Basseterre (em São Cristóvão e Névis) e Kingstown (em São Vicente e Granadinas). 

Um link com a notícia original da Veja, que acompanha o texto falso em algumas versões do boato, explica a questão corretamente logo no primeiro parágrafo. No Facebook o primeiro registro da publicação falsa é no dia 10 junho de 2019. Pela ferramenta CrowdTangle foi possível detectar que o boato estava presente em 833 posts na rede social. Em 2019, o assunto foi desmentido pelo Correio Braziliense e pelo Boatos.org.

Não é a primeira vez que embaixadas são tema de desinformação. O Projeto Comprova já desmentiu uma corrente que acusava a embaixada do Brasil nos EUA de ser um reduto do PT.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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