Vídeo antigo de protesto contra Lula é tirado de contexto para atacar pesquisas eleitorais

Vídeo antigo de protesto contra Lula é tirado de contexto para atacar pesquisas eleitorais

Sem indicação de data da gravação, usuários concluem que manifestação é recente e questionam levantamentos que apontam o petista como favorito em 2022

Pedro Prata

27 de dezembro de 2021 | 12h50

Uma postagem no Facebook tira de contexto um vídeo antigo de uma caravana do ex-presidente Lula para atacar pesquisas eleitorais de grandes institutos. O vídeo mostra um ônibus adesivado com o nome do petista parado em uma cidade enquanto manifestantes gritam ofensas a ele. A postagem diz “Vai vendo. Isso porque está em primeiro lugar nas pesquisas”, mas a gravação é de março de 2018. Esse conteúdo foi compartilhado ao menos 27,1 mil vezes.

Foto: Reprodução

O Estadão Verifica utilizou a ferramenta InVID para obter frames do vídeo. Em seguida, os frames foram submetidos à busca reversa de imagens do Google (veja como fazer) para encontrar outras vezes em que ele foi publicado. O vídeo já foi utilizado fora de contexto antes, como mostrou o Estadão Verifica.

Trata-se da passagem da  “Caravana Lula pelo Brasil” pela cidade de São Vicente do Sul (RS), em 21 de março de 2018. Na ocasião, o ex-presidente passou por diversas cidades do País de ônibus. A etapa na região Sul começou no dia 19, em Bagé (RS), e terminou no dia 28, em Curitiba (PR). Lula seria condenado em segunda instância no caso do triplex do Guarujá (SP) e preso em abril daquele ano.

Alguns usuários entendem que o vídeo é recente porque a postagem se refere a Lula como “o primeiro lugar nas pesquisas”, referindo-se a sondagens mais recentes que realmente mostram o ex-presidente como candidato favorito (Jair Bolsonaro é o segundo colocado). Um usuário diz que o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria “ir atrás dessas empresas mentirosas, que fazem essas pesquisas fake”. Outro comenta de forma irônica: “Olha só o primeiro lugar do STF e da Folha!”.

Antes de compartilhar um vídeo, é importante confirmar o local e a data em que ele foi gravado para checar seu contexto. Isso pode ser feito por meio de uma busca de informações sobre o evento em veículos de imprensa profissionais.

 


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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