Não, deputado gaúcho não foi preso por criticar Alexandre de Moraes

Não, deputado gaúcho não foi preso por criticar Alexandre de Moraes

Parlamentar Ubiratan Sanderson fez críticas públicas a decisões recentes do ministro, mas nenhuma medida judicial foi tomada contra ele

Pedro Prata

25 de abril de 2022 | 11h48

Atualizada às 11h13 de 26 de abril de 2022 para incluir o posicionamento do deputado.

É falso que o ministro Alexandre de Moraes tenha determinado a prisão do deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS). Um vídeo diz que a suposta decisão teria sido tomada “na calada da noite do domingo de Páscoa” porque o parlamentar teria acusado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de “advogar para bandidos”, mas nenhuma medida judicial foi tomada contra Sanderson. Esse conteúdo foi compartilhado ao menos 16 mil vezes no Facebook.

Não há, em sites de notícias ou no portal do STF, qualquer registro de que o parlamentar tenha sido preso. Por meio de nota, o gabinete de Moraes negou que alguma decisão nesse sentido tenha sido tomada. “O gabinete do ministro Alexandre de Moraes informa que não foi proferida nenhuma decisão a respeito do deputado Ubiratan Sanderson durante o feriado da Semana Santa.” 

Por telefone, o deputado confirmou ao Estadão Verifica que as alegações no vídeo são falsas. “As falas em que eu fiz críticas ao sistema são verídicas, mas não falei nada que extrapolasse a participação parlamentar. E colocaram uma narrativa esdrúxula. Não há nada contra mim no STF. Não haveria motivo, minha conduta é ilibada. Não fiz nenhuma crítica que extrapolasse a atividade parlamentar.”

Não foram tomadas decisões judiciais contra Sanderson. Foto: Reprodução

Peça utiliza vídeos antigos e sem contexto

O vídeo que viralizou traz trechos de um discurso de Sanderson dentro da Câmara dos Deputados. Sem contextualização, as imagens dão a impressão que ele estaria se referindo ao ministro Moraes – embora em nenhum momento ele cite o nome do magistrado. Uma análise da fala do deputado mostra que o vídeo é antigo e não tem relação com os recentes embates entre o STF e o governo Bolsonaro.

É possível ver que Sanderson está interpelando uma pessoa e critica o fato dos advogados dela a aconselharem a ficar em silêncio. Em determinado momento, ele condena o fato de alguém chamado Francisco de Assis e Silva se recusar a entregar seu celular para análise. O vídeo em que Sanderson aparece foi gravado durante a CPI do BNDES na Câmara dos Deputados, em 28 de maio de 2019. Confira:

Francisco de Assis e Silva foi diretor jurídico da empresa J&F. Seu celular foi apreendido pela Polícia Federal, em 2017, no âmbito da Operação Bullshit, mas ele conseguiu decisões judiciais que impediram a corporação de fazer a análise e coleta de provas do aparelho.

Deputado é crítico de Alexandre de Moraes

Ubiratan Sanderson é policial federal licenciado e foi eleito deputado federal em 2018. Ele é crítico das decisões judiciais proferidas por Alexandre de Moraes com relação ao caso do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado a 8 anos e 9 meses de prisão por ataques à democracia. Poucos dias antes do julgamento, Sanderson acompanhou Silveira à PF no Distrito Federal quando o colega se apresentou para colocar uma tornozeleira eletrônica, mostrou o UOL.

Em vídeo no Twitter, o deputado chamou o resultado do julgamento de “ilegal, desproporcional, desarrazoado” e disse que cabe ao plenário da Câmara dos Deputados reverter a decisão. Ele também elogiou o indulto do presidente Jair Bolsonaro (PL) que extinguiu as penas de prisão e multa a Silveira.


Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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