Alexandre Garcia não escreveu texto que pede que Bolsonaro ‘caia logo’
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Alexandre Garcia não escreveu texto que pede que Bolsonaro ‘caia logo’

Postagens falsas nas redes sociais vinculam artigo ao jornalista, que negou a autoria pelo Twitter; mensagem circulava de forma anônima anteriormente

Samuel Lima, especial para o Estado

18 de maio de 2020 | 16h25

É falso que o jornalista Alexandre Garcia tenha escrito texto em que deseja “que Bolsonaro caia logo e não deixem Mourão assumir” e critica adversários políticos do presidente “sem meias palavras”, como afirmam postagens virais no Facebook. Antes de ser atribuída a Garcia, a peça circulava de forma anônima na internet — e o próprio jornalista desmentiu a autoria pelo Twitter.

O boato falso começa com o autor sugerindo, de forma irônica, que o presidente Jair Bolsonaro deveria sofrer impeachment. “Façam novas eleições, burlem as urnas e deem logo a vitória para Ciro, Haddad, Moro, Doria, ou qualquer outro vigarista”, continua o texto. Os posts tiveram mais de 96 mil compartilhamentos e 2,7 milhões de visualizações até a tarde desta segunda-feira, 18.

Postagens no Facebook com texto falsamente atribuído a Alexandre Garcia. Foto: Reprodução / Arte Estadão

Alexandre Garcia nunca escreveu esse artigo, que não consta em nenhum de seus perfis nas redes sociais. Pelo Twitter, na última sexta-feira, 15, o jornalista desmentiu o boato: “Mais uma canalhice em rede social. Um autor de crime cibernético usa meu nome num texto que começa com ‘Sem meias palavras!’. Quem sabe que eu não escreveria baboseiras me alertou. A Delegacia de Crimes Virtuais há de pegar esse tipo de gentalha.”

O texto circula no Facebook desde 4 de maio. O Estadão Verifica pesquisou a frase de abertura no Google e na ferramenta de busca da rede social e encontrou o artigo publicado naquela data, sem indicação de autoria, em páginas como “GigantesPatriotasBR”, simpáticas a Bolsonaro. Somente cerca de uma semana depois o texto foi atribuído, falsamente, ao jornalista.

Não é a primeira vez que o nome de Garcia esteve envolvido em boatos nas redes. Em março de 2019, o Estadão Verifica mostrou que o jornalista não escreveu artigo em que afirmava nunca ter havido presidente “tão examinado, humilhado, caluniado, ridicularizado e insultado”, em suposta referência a Bolsonaro. Recentemente, texto semelhante passou a circular na internet atribuindo autoria ao cantor sertanejo Gusttavo Lima.

Bolsonaro é, de fato, alvo de uma série de pedidos de impeachment e está pressionado por acusações de tentativa de interferência na Polícia Federal, com base em declarações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro. Inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), aberto pelo decano Celso de Mello, está em posse de mensagens trocadas por Bolsonaro e Moro e vídeo de reunião ministerial em que o presidente teria vinculado a troca na superintendência da PF no Rio de Janeiro à proteção dos filhos.

O Boatos.org também desmentiu esse conteúdo.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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