Ainda não existe cura para coronavírus; auto-hemoterapia não tem comprovação e pode ser perigosa
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Ainda não existe cura para coronavírus; auto-hemoterapia não tem comprovação e pode ser perigosa

Vídeo que sugere método não reconhecido cientificamente como forma de prevenção contra covid-19 teve 300 mil visualizações no Facebook

Alessandra Monnerat

23 de março de 2020 | 16h45

Não há evidências que a auto-hemoterapia possa prevenir ou curar a covid-19. Em um vídeo visualizado mais de 300 mil vezes no Facebook, um homem diz que foi curado do novo coronavírus com a prática, que consiste em tirar sangue de uma veia e aplicá-lo em um músculo. No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde informam que ainda não existe tratamento ou medicação comprovadamente eficaz no combate ou prevenção da doença. Além disso, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o procedimento de auto-hemoterapia pode causar danos à saúde.

A melhor forma de se prevenir contra o coronavírus é lavar as mãos com água e sabão por ao menos 20 segundos, ou higienizá-las com álcool em gel. Praticar distanciamento social (evitar sair às ruas, exceto em caso de necessidade) também é recomendado.

Novo coronavírus. Foto: CDC/Divulgação

O CFM publicou um parecer em que aponta que “não existem estudos relativos à auto-hemoterapia desde a sua proposição como recurso terapêutico” e que “não há evidência científica disponível que permita a sua utilização em seres humanos”. Além disso, os médicos que praticaram a auto-hemoterapia poderão ter os registros médicos cassados.

A Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) também não reconhece a auto-hemoterapia do ponto de vista científico. A entidade afirma que não existe na literatura médica evidência de que a técnica funcione e que a prática pode trazer inúmeros riscos à saúde.

Documento

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “apesar de ser uma prática antiga e de existirem muitos relatos sobre o seu uso, ainda hoje (a auto-hemoterapia) não é reconhecida como procedimento médico e não há estudos controlados e pesquisas suficientes realizadas que comprovem a ação e a eficácia da referida técnica”.

Nota Técnica Anvisa

O Aos Fatos também checou este vídeo.

Acompanhe a cobertura em tempo real do Estado sobre o novo coronavírus.

Confira as respostas a 115 dúvidas sobre a covid-19.

Veja outras informações falsas sobre o coronavírus que circulam no WhatsApp.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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