Advogado de Trump divulga informação falsa sobre ‘eleitores fantasmas’ no Michigan

Advogado de Trump divulga informação falsa sobre ‘eleitores fantasmas’ no Michigan

Rudy Giuliani se baseou em documentos com dados errados; autoridades eleitorais dos EUA não encontraram nenhuma evidência de fraude

Alessandra Monnerat

28 de novembro de 2020 | 18h01

É falso que 70% do condado de Wayne, no Michigan, tenha “eleitores fantasmas”. A alegação, sem evidências, foi divulgada no Twitter por Rudy Giuliani, advogado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Páginas brasileiras repercutiram o boato em português no Facebook. O condado mencionado é onde fica a cidade de Detroit, a mais populosa do estado, e onde o candidato democrata Joe Biden venceu com 68% dos votos.

O estado do Michigan certificou o resultado de suas eleições no dia 23 de novembro — os 16 delegados do colégio eleitoral foram para Biden. Os integrantes do comitê eleitoral que votaram pela certificação disseram não ter encontrado indícios de fraude eleitoral. No condado de Wayne, membros republicanos do comitê local tentaram atrasar o processo de certificação, mas recuaram e deram a vitória ao democrata no dia 18 de novembro.

A Secretária de Estado do Michigan, Jocelyn Benson, comunicou que, em Detroit, 72% dos precintos de votação tinham o mesmo número de eleitores e de votos. O resto das urnas apresenta diferença por erros pontuais, comuns ao estado e ao restante dos EUA. 

“Há muitas razões pelas quais isto pode ocorrer”, diz o comunicado. “Por exemplo, um eleitor pode ter se registrado no local de votação certo, mas no recinto errado; ou um eleitor pode registrar sua entrada mas sair com sua cédula de votação se a fila estava longa”.

Autoridades eleitorais dos 50 estados dos EUA informaram “não haver evidência” de que votos foram perdidos ou alterados, ou que os sistemas de votação tenham sido corrompidos nas eleições presidenciais.

Rudy Giuliani fez uma alegação parecida sobre “eleitores fantasmas” em uma coletiva de imprensa no dia 19 de novembro. Ele disse que várias urnas em Detroit tiveram mais votos que o número de eleitores registrados. No entanto, o advogado e ex-prefeito de Nova York se baseou em um documento que continha vários erros, de acordo com o jornal The Washington Post.

A lista na qual Giuliani se baseou se referia a votos do Minnesota, e não de Michigan. Além disso, o documento usou uma estimativa desatualizada do número de eleitores e errou o tipo de votação empregado no condado de Wayne. 

O advogado de Trump tem espalhado informações falsas sobre as eleições dos EUA repetidas vezes. O Estadão Verifica já checou outros três boatos disseminados por Giuliani: sobre o software de votação Dominion; sobre a votação em Milwaukee e sobre uma pegadinha em que um homem “rasga” cédulas.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

 

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