Adélio esteve na Câmara em 2013, mas ainda não se sabe se visitou deputados do PSOL
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Adélio esteve na Câmara em 2013, mas ainda não se sabe se visitou deputados do PSOL

Apesar de agressor de Bolsonaro ter visitado a Casa, ainda não foram encontrados registros do que ele fez

Estadão Verifica

14 Setembro 2018 | 18h23

checagem abaixo foi publicada pelo Projeto Comprova. A verificação foi realizada por uma equipe de jornalistas da Gaúcha ZH e da Bandnews FM. Outras redações concordaram com a checagem, no processo conhecido como “crosscheck”: Jornal do Commercio e revista piauí.

Projeto Comprova é uma coalização de 24 veículos de mídia com o objetivo de combater a desinformação durante o período eleitoral. Você pode sugerir checagens por meio do número de WhatsApp (11) 97795-0022.

O homem que feriu o candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) com uma faca, Adélio Bispo de Oliveira, esteve na Câmara dos Deputados em 2013, mas não é possível afirmar que ele visitou ou foi ao gabinete de algum dos deputados do PSOL como afirmam um site e páginas e perfis em redes sociais.

O site Jonal da Cidade publicou a foto dos três deputados do PSOL na legislatura passada – Ivan Valente, Chico Alencar e Jean Willys – e afirmou que um deles teria recebido Adélio.

A informação da ida de Adélio à Câmara foi divulgada inicialmente pelo deputado Fernando Fancischini (PSL-PR) e ganhou destaque a partir de publicações no Twitter, no Facebook e em sites e mensagens de WhatsApp. Porém, ninguém soube afirmar, até agora, qual foi o gabinete supostamente visitado por Adélio – o Comprova questionou o PSOL, partido ao qual o agressor era filiado à época, Francischini e a Câmara.

A visita de Adélio foi confirmada pela assessoria de imprensa da Câmara. “Há registros de que, no dia 6 de agosto de 2013, Adélio Bispo de Oliveira ingressou na Câmara dos Deputados, por duas vezes, pela portaria do Anexo IV. O registro é feito no Sistema de Identificação de Visitantes”, informou, em nota, o departamento. No prédio do Anexo IV está localizada a maioria dos gabinetes dos deputados federais, um restaurante panorâmico e uma capela ecumênica projetada por Oscar Niemeyer.

A Câmara também afirmou que não há informações no sistema “sobre o destino do visitante”, nem como “saber o local ao qual ele se dirigiu” porque “as imagens captadas pelo Circuito Fechado de Televisão (CFTV) ficam armazenadas somente por determinado período”. Essa nota é assinada pelo diretor do Departamento de Polícia Legislativa da Câmara, Paul Pierre Deeter.

Adélio foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014. A liderança do partido na Câmara alegou que “a Câmara dos Deputados recebe cerca de 580 mil visitantes por ano, 44 mil por mês (…) e que “não é possível verificar se a pessoa citada no texto esteve no gabinete de algum deputado do PSOL ou de qualquer outra legenda”.

A informação de que Adélio esteve na Casa foi divulgada por Francischini, que em nenhum momento afirmou saber o motivo da visita. “Francischini protocolou requerimento de informações ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a fim de obter detalhes da visita do agressor, assim como imagens. O deputado também encaminhou as informações à Polícia Federal, que investiga o atentado.

No dia da visita de Adélio, a Câmara teve duas sessões em plenário – uma não deliberativa –, encontros de comissões, como Orçamento, Legislação Participativa e Cultura, e uma discussão sobre a reforma do ensino médio. Na data, também ocorreu uma reunião do presidente da Casa à época, Henrique Alves (MDB-RN) com movimentos que pediam o fim dos autos de resistência. Nas fotos divulgadas pela Casa naquele dia, não é possível localizar Adélio.