Veja erros, omissões e falsidades nas sabatinas dos candidatos
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Veja erros, omissões e falsidades nas sabatinas dos candidatos

Daniel Bramatti, Alessandra Monnerat, Caio Sartori, Cecília do Lago e Luiz Fernando Toledo

04 Agosto 2018 | 19h24

Exageros, omissões e inverdades contaminaram o discurso dos principais candidatos a presidente nas entrevistas que eles concederam a jornalistas da GloboNews no decorrer na última semana. O Estadão Verifica checou as declarações de Alvaro Dias (Podemos), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL).

Com base no grau de veracidade ou ausência de compromisso com os fatos, declarações das entrevistas receberam uma “nota”, expressa em uma escala de um a quatro “pinocchios”. Para aplicar essa gradação, o Estado se inspirou na sessão “Fact Checker” do jornal Washington Post, publicada desde 2007.

O Pinocchio – boneco de madeira cujo nariz cresce quando conta uma mentira, segundo a história infantil criada pelo italiano Carlo Collodi  – também recupera capas históricas do antigo Jornal da Tarde, do Grupo Estado, que em 1982 publicou em diversas edições imagens de Paulo Maluf com o nariz dilatado, apontando inverdades do então governador.

 

ALVARO DIAS

“Ele não está sendo investigado, a empresa é que está sendo investigada”  – sobre o suplente Joel Malucelli

Majoritariamente verdade

Álvaro Dias foi questionado pelos entrevistadores da GloboNews sobre o fato de a empreiteira de seu suplente, Joel Malucelli, fazer parte do consórcio da hidrelétrica de Belo Monte, obra marcada por irregularidades, e de ter sido acusado de pagamento de propina. O candidato respondeu que Malucelli “se afastou da empresa há vários anos, não é sócio nem diretor”  – informação irrelevante diante do fato de que o grupo J. Malucelli é presidido pelo filho do suplente e permanece sob controle da família. Dias disse que Malucelli é um empresário de “grande conceito e respeitabilidade” e que não está sendo investigado. O senador omitiu o fato de que Malucelli é suspeito de ter pago propina de R$ 500 mil para que sua empresa do setor de energia recebesse aporte de R$ 330 milhões do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS). A acusação consta no acordo de delação do ex-superintendente de Fundos de Investimento Especiais da Caixa Econômica Federal Roberto Madoglio com o Ministério Público Federal.

“Terminei o meu governo aprovado por 93%”

Falso

Segundo duas pesquisas Datafolha publicadas em 1990, último ano do governo de Alvaro Dias no Paraná, sua taxa de aprovação (soma dos conceitos “ótimo” e “bom”) foi de 66% em março e de 42% em setembro. A taxa só superaria 90% caso fossem somados os porcentuais de “regular”. Mas, conforme o Datafolha já esclareceu em diversas ocasiões, quem considera um governo “regular” não o aprova.

MARINA SILVA

Nós temos que fazer o debate (sobre o aborto). Nas democracias evoluídas, na maioria delas, exceto agora na Argentina, é feito por plebiscito”

Meia verdade

Ao defender a realização de um plebiscito sobre a legalização do aborto em casos hoje não previstos em lei, Marina Silva afirmou que o debate sobre a questão é feito por meio de consulta popular “na maioria” das democracias evoluídas. Embora haja exemplos recentes disso, como os casos de Portugal e da Irlanda, há vários países democráticos em que o aborto foi legalizado por decisão do parlamento (França, Itália) ou do Poder Judiciário (Estados Unidos).

CIRO GOMES

“O Ceará foi o único estado brasileiro que deu dois terços dos votos contra o impeachment”

Falso

Ciro Gomes, entrevistado na quarta-feira, citou um dado errado para demonstrar sua lealdade a Lula e ao PT. Ele afirmou que o Ceará “deu dois terços de seus votos” contra o impeachment de Dilma Rousseff. Na votação, porém, 11 dos 22 deputados cearenses foram contrários à abertura do processo contra Dilma. Ou seja, em vez de dois terços, metade da bancada votou a favor da então presidente.

“Salário mínimo com Lula subiu de 76 dólares de poder de compra para 320 dólares quando a Dilma tomou posse”

Meia verdade

Ciro exagerou ao citar dados sobre o salário mínimo nos governos petistas. Em janeiro de 2003, quando Lula assumiu a Presidência, o salário mínimo era de US$ 154,69 em paridade de poder de compra, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em janeiro de 2011, quando Dilma Rousseff tomou posse, o valor tinha subido para US$ 327,24 em paridade de poder de compra – este sim um valor mais próximo ao número citado pelo candidato.

GERALDO ALCKMIN

“Caiu tudo. Caiu roubo, latrocínio, homicídio. É impressionante.”

Meia verdade

O candidato Geraldo Alckmin, entrevistado na quinta-feira, afirmou que as ocorrências de roubos, latrocínios e homicídios caíram no Estado de São Paulo na última década. Os dados da Secretaria da Segurança Pública, no entanto, apontam aumento nos roubos – em 2003, eram 248,4 mil. Em 2017, 303,9 mil.

 

JAIR BOLSONARO

“Mais da metade do território (do Brasil) é demarcado”

Falso

O deputado e ex-capitão Jair Bolsonaro (PSL), convidado na sexta-feira, afirmou na entrevista que o Brasil tem “mais da metade do seu território demarcado” para proteção de áreas indígenas,  ambientais e de quilombolas. Essa afirmação não corresponde à realidade. Segundo a Funai, 12,5% são áreas demarcadas para terras indígenas. As reservas ambientais (sem contar as marinhas) representam cerca de 19% (parte dessa área se sobrepõe a reservas indígenas). E as áreas quilombolas não chegam a 1%.

“Essa declaração (de que mulheres devem ganhar menos do que homens) não é minha”

Falso

Bolsonaro já afirmou em pelo menos duas ocasiões que empresários devem ter a opção de pagar salários menores a mulheres: em entrevistas ao jornal Zero Hora, em 2014, e à RedeTV, em 2016.