Triste fim

Eliane Cantanhêde

13 de setembro de 2016 | 00h20

A ex-presidente Dilma Rousseff se diz vítima do ex-deputado Eduardo Cunha, e o ex-deputado Eduardo Cunha caiu se dizendo vítima de Dilma Rousseff, mas a realidade mostra e a história vai confirmar o quanto Dilma e Cunha cavaram suas próprias covas políticas. Um serve de pretexto para o outro, mas Dilma sofreria impeachment com ou sem Cunha e Cunha seria cassado com ou sem Dilma.

O surpreendente em todo esse longuíssimo processo foi o placar da cassação de Eduardo Cunha no plenário. Nem seu mais ferrenho inimigo poderia imaginar que seriam 450 votos contra míseros 10. Isso comprova que a estratégia de Cunha, de postergar ao máximo o desfecho, acabou se voltanto contra ele. Enquanto ele manobrava freneticamente o regimento e os recursos no Supremo Tribunal Federal, os seus aliados foram minguando, minguando, e evaporaram.

No derradeiro ato, Cunha só contou com dois apoiadores incondicionais: os deputados Carlos Marum e Delegado Edson Moreira que, em falta de outros, tiveram de se revezar na tribuna e nas entrevistas defendendo o indefensável. Cunha, um dos homens mais fortes da República na reeleição de Dilma, volta para casa solitáriamente, fraco, abandonado e perseguido pela sombra do juiz Sérgio Moro. Triste fim.

 

 

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.