Pizzolato: livramento sim, indulto não

Eliane Cantanhêde

28 de dezembro de 2017 | 13h48

O ex-diretor do BB Henrique Pizzolato não perdeu tempo e já pediu indulto de Natal, mas deverá ser o primeiro a ser “prejudicado” pela decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, que deverá suspender ainda hoje o indulto concedido neste ano pelo presidente Michel Temer.

Ao mesmo tempo em que é libertado da prisão hoje, 28/12, por decisão do ministro Luis Roberto Barrozo, Pizzolato já entrou com pedido de indulto na expectativa de, além de ser solto, ser também liberado de pagar a multa de R$ 2 milhões, em parcelas, pela condenação no mensalão. Ele foi condenado por desvios de R$ 75 milhões da Visanet para a empresa do publicitário Marcos Valério, pivô do escândalo.

A libertação de Pizzolato está mantida e ocorreu no início da tarde desta quinta-feira, mas a estratégia de pedir simultaneamente indulto de Natal não irá progredir. Cármen Lúcia está para anunciar que concorda com a ação impetrada pela procuradora geral da República, Raquel Dodge, contra trechos inteiros do indulto concedido por Temer.

Segundo Dodge, o indulto coloca em risco a Lava Jato, viola vários princípios da Constituição e favorece a impunidade. A decisão de Cármen Lúcia vai mostrar que ela concorda com essas premissas. E o primeiro a “sair perdendo” será Pizzolato, que foi condenado a 12 anos e sete meses pelo mensalão, mas está recebendo “livramento condicional” por decisão do ministro Barroso, que considerou o cumprimento de um terço da pena. Livramento sim, indulto não.

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