O X financeiro

Eliane Cantanhêde

22 de setembro de 2016 | 12h14

Vamos combinar: não é nada trivial que um ex-ministro da Fazenda seja preso por pedir propina para Mega empresários (ou para quem quer que seja), mas a coisa fica ainda pior porque Guido Mantega era também presidente do Conselho de Administração da Petrobras e as empresas de Eike Batista tinham negócios bilionários com a mesma Petrobras. Uma lambança de tanto.

É assim que a Lava Jato chega a uma área não explorada até agora: o coração financeiro do esquema de desvios. Se, segundo o Ministério Público, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva era o “comandante máximo”, o “chefe”, o “general” e o “maestro”, Mantega pode ser chamado de quê? Diretor de Finanças? Gerente? Operador do esquema?

Mas, atenção, o pedido específico de Mantega a Eike foi em 2012, logo, em pleno governo Dilma Rousseff e para pagar despesas da campanha dela de 2010. Mantega foi durante 20 anos o assessor dileto de Lula para a área econômica e foi ministro dos dois presidentes petistas. Coração do PT, coração dos governos, coração do esquema de desvio da Petrobras.

E a gente, inocentemente, achava que Guido Mantega tinha sido apenas o braço direito de Dilma para destruir a economia….

 

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