O duelo será entre Gilmar e Herman Benjamin, em torno das delações

Eliane Cantanhêde

07 de junho de 2017 | 09h09

A primeira sessão do julgamento no TSE foi só para esquentar, porque o jogo começa mesmo nesta quarta-feira. Foi suficiente, porém, para mostrar quem serão os capitães dos times adversários: o relator Herman Benjamin lidera o voto pela cassação da chapa Dilma-Temer e o presidente Gilmar Mendes, o da absolvição. Os dois já se estranharam ontem.

Num tom inesperadamente político, falando para os telespectadores, ou para a plateia, Benjamin disse que, na ditadura, a Justiça comdenava quem defendia a democracia e, hoje, condena quem ataca a democracia. E alertou contra as generalizações e contra a demonização dos partidos e dos eleitos para executivos e legislativos, inclusive nos estados.

O relator também não foi nada sutil ao confrontar diretamente o presidente do TSE. Ele usou um voto antigo de Gilmar Mendes para criticar que a Justiça Eleitoral tem sido capaz de cassar governadores de pequenos estados, como o Piauí, por exemplo, mas protegendo os do Rio e São Paulo. A analogia serve para questionar: se pode cassar governadores de estados distantes, por que não pode punir os de estados ricos e… chapas de presidentes?

As armas estão colocadas e serão usadas hoje para uma questão central do julgamento: se a inclusão das delações da Odebrecht e dos marqueteiros do PT, João Santana e Monica Moura, é cabível no processo. Os advogados do PT e de Dilma alegaram ontem que não. E esse será a principal arma dos favoráveis a manter Temer para tentar o arquivamento do processo. Dia de muitas emoções.