O destino de Kátia Abreu

Eliane Cantanhêde

26 de julho de 2016 | 18h59

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) reúne sua diretoria hoje, em Brasília, para debater uma questão bastante delicada: o que fazer se a presidente afastada da entidade, Kátia Abreu, decidir voltar ao cargo, depois que a Comissão de Ética Pública da Presidência da República, consultada por ela, a dispensou de cumprir um período de “quarentena” nesse caso.

A diretoria e as federações são contra a volta de Kátia Abreu, mas isso pode virar um problemaço de cunho jurídico, curiosamente repetindo a mesma divisão que ocorre com a Presidência da República, que também tem uma presidente afastada, Dilma Rousseff, e um presidente em exercício, Michel Temer.

Kátia pediu licença da presidência da CNA em janeiro de 2015 para assumir o Ministério da Agricultura no segundo mandato de Dilma, agora afastada. Senadora eleita pelo PMDB de Tocantins, ela foi substituída desde então na CNA por João Martins, que exerce a função com plenos direitos. Kátia é também presidente licenciada da Federação de Agricultura de Tocantins, seu estado.

O problema é delicado, até porque Kátia Abreu havia se firmado como uma grande, talvez a maior, liderança de um setor que consegue ir bem, apesar de todas as crises que se abatem dramaticamente sobre a indústria, por exemplo. Ela, porém, jogou para o alto esse patrimônio político junto à própria categoria, ao decidir ficar até o fim com Dilma, enquanto a CNA e as entidades ligadas ao agronegócio aderiram abertamente à tese do impeachment.

Além disso, Kátia Abreu abriu um outro flanco político, porque ela é filiada ao PMDB e historicamente adversária ao PT, mas ficou contra o peemedebista Michel Temer e a favor da petista Dilma, de quem se tornou interlocutora e amiga. Foi, inclusive, testemunha a favor de Dilma na Comissão do impeachment no Senado.

GUINESS – Na quinta-feira, 28/07, que é dia do agricultor, a CNA vai montar um mesão de 200 metros com frutas em plena Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O objetivo é ganhar o Guiness de maior quantidade de frutas reunidas de uma só vez, batendo o último récorde, de 8 toneladas. A coisa é séria, tanto que o Guiness está enviando um representante direto de Nova York para conferir a quantidade e atestar _ ou não _ o récorde.

 

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