No tapetão

Eliane Cantanhêde

11 de julho de 2017 | 18h17

As senadoras de oposição estão fazendo exatamente a mesma coisa que os partidos governistas fazem na Câmara: tentando ganhar tempo, ou ganhar no tapetão, num reconhecimento de fragilidade, fraqueza, falta de votos.

Gleisi Hoffmann, Fátima Bezerra e Vanessa Grazziotin, entre outras, ocuparam a presidência do Senado contra a reforma trabalhista, admitindo que a oposição não tem voto para impedir a atualização da CLT, num quadro com quase 14 milhões de desempregados. É inédito e surpreendente.

E o presidente Michel Temer comanda a ação de seis partidos da base aliada para substituir os membros da CCJ da Câmara que se declaram dispostos a autorizar o processo contra ele no Supremo. Já foram 18 substituições, entre titulares e suplentes. O que é isso? A admissão de que, se fosse no voto, com a composição original, o governo perderia.

Então, em vez de luta política, de ideias, de voto, temos outras formas parlamentares em ação: ganhar no grito, no tapetão, impedindo a livre manifestação de deputados e senadores e a vitória da maioria nas casas onde todos foram eleitos pelo povo.

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