Emoção no final

Eliane Cantanhêde

01 de outubro de 2016 | 21h25

Apesar das gritantes divergências entre Ibope e Datafolha, há duas convergências em relação à eleição de São Paulo: João Dória, do PSDB, está virtualmente no segundo turno e não é possível garantir quem irá disputar com ele. Russomano, do PRB, Marta, do PMDB, e Haddad, do PT, estão embolados.  A diferença é que Russomano chega ao dia da eleição em linha descendente.

Para o líder Dória, é muito melhor competir com Russomano do que com Haddad e principalmente com Marta. Por quê? Porque é improvável que os eleitores e partidos aliados do PT, da cúpula do PMDB e da dissidência do PSDB venham a apoiar Russomano. Logo, tenderiam a apoiar, diretamente ou por omissão, a candidatura de Dória.

Já se Doria enfrentar Marta, é possível que ela atraia parte dos votos do PT e do espectro que é simplesmente anti-PSDB. E, se o adversário de Doria for Haddad, o petista poderá carregar parte dos votos de Marta e, como ela, também dos que são, antes de mais nada, contra os tucanos. Mas… a forte resistência ao PT poderá, ou poderia, favorecer Doria.

No Rio, o favorito Marcelo Crivela, do mesmo PRB de Russomano, mantém a dianteira, mas chega ao fim do primeiro turno (equivale a dizer: entra no segundo turno) perdendo fôlego. E, se os demais continuam embolados no segundo lugar, quem parece se descolar é Marcelo Freixo, do PSOL. Se chegar lá, pode virar a grande surpresa na decisão final das eleições.

Quanto a Minas, uma inversão: depois de perder o governo do Estado para o PT, o PSDB fecha bem o primeiro turno, enquanto o PT come poeira e está virtualmente fora do segundo turno, confirmando uma tendência de fragilização petista em todo o país. Isso, aliás, aumenta a ansiedade do PT em São Paulo. A única forma de compensar o desastre nacional seria levar Haddad ao menos ao segundo turno em São Paulo, joia da coroa. O que, até a véspera, agora à noite, é uma grande interrogação.

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