Depois de Minas, a Bahia

Eliane Cantanhêde

04 de outubro de 2016 | 18h13

Atenção: a partir desta quarta-feira, três dias depois do primeiro turno das eleições municipais, acaba a restrição legal para prisões que não sejam em flagrante. O mundo político volta a tremer.

Já na véspera, nesta terça, a Operação Hidra da Polícia Federal atingiu mais um reduto estratégico do PT, a Bahia, onde brilham, ou brilhavam, duas das estrelas do partido: o ex-governador Jaques Wagner e o atual governador Rui Costa.

Wagner foi ministro da Defesa e chefe da Casa Civil no governo Dilma Rousseff e é cotado para presidir o PT durante um anunciado processo de “renovação”, ou “reinvenção”, do partido, que foi violentamente atingido pela Operação Lava Jato e seus filhotes e sofreu uma derrota acachapante em todo o país _ com exceção de Rio Branco, onde venceu em primeiro turno, e em Recife, onde disputa o segundo com o PSB.

Rui Costa, uma das novas lideranças do PT, uma espécie de reserva, tem um perfil bem diferente do padrinho Wagner. Mais jovem, mais técnico, é apontado como um bom administrador, tem bons índices de popularidade e conseguiu driblar a pesada derrota na capital com vitórias no interior.

Como Minas, a Bahia era considerada um bunker de resistência, mas não escapou das investigações e desmembramentos da Operação Acrônimo nem da derrota nacional do PT. Em Belo Horizonte, o candidato petista comeu poeira na eleição e nem sequer chegou ao segundo turno. Em Salvador, o prefeito ACM Neto, do DEM, conquistou a reeleição no primeiro turno e foi um dos campeões de votos no País, com 74%.

O atual governador está sendo investigado pela Operação Hidra, junto com os ex-ministros das Cidades Márcio Fortes (governo Lula) e Mário Negromonte (governo Dilma), a empreiteira OAS e a agência de publicidade Propeg. A operação foca o financiamento ilegal de campanhas e fraudes em licitações e contratos de gestões anteriores do Ministério das Cidades.