Com a voz da experiência, Bornhausen vê Alckmin no segundo turno

Eliane Cantanhêde

05 de dezembro de 2017 | 10h37

Homenageado com um jantar que teve desde o presidente Michel Temer até o novo diretor geral da PF, Fernando Segovia, o ex-governador e ex-senador Jorge Bornhausen, um dos fundadores do PFL e do DEM, previu nesta  segunda, 4/12, que não haverá nenhum nome novo na eleição de 2018 e o tucano Geraldo Alckmin já é o candidato irreversível do “centro”, com lugar praticamente assegurado no segundo turno.

Bornhausen não escondeu a vontade de ver um integrante do DEM como vice na chapa de Alckmin, repetindo a dobradinha do tucano Fernando Henrique Cardoso com o então pefelista Marco Maciel. Citou até um nome como possibilidade: ACM Neto, prefeito de Salvador. Segundo ele, o vice deve ser obrigatoriamente do Nordeste, onde o PT e particularmente Lula mantêm forte liderança e apoio.

Apesar de estar há anos na iniciativa privada, Bornhausen, 80, mantém intensos contatos nos diferentes partidos e demonstrou sólida capacidade de análise do momento político. Cercado por parlamentares e ministros do PMDB, DEM, PPS e PSB, ele disse que Alckmin já tem o PSDB e mais cinco partidos na largada e isso é garantia de bom tempo de televisão na campanha, algo imprescindível. Além disso, preenche requisitos das pesquisas qualitativas e tem o que mostrar no governo de São Paulo.

Na sua opinião, a oficialidade das Forças Armadas constitui a mais forte oposição à candidatura de Jair Bolsonaro, que largou a farda em litígio com o Exército, está há um quarto de século como deputado e tenta usar sua ligação antiga com a área militar para se lançar à Presidência. “O que os políticos falam contra o Bolsonaro conta a favor dele, mas quando os militares começarem a falar, aí, sim, isso vai pesar contra ele”, disse Bornhausen, referindo-se ao desgaste dos políticos e à aprovação dos militares na opinião pública.

Ele também acha muito improvável que o ex-presidente Lula _ de quem é adversário visceral _ consiga ser candidato, por causa de suas ações na justiça e da possibilidade de condenação em segundo grau, no TRF-4. “Um candidato concorrendo com liminar?”, indaga. Com um sorriso, apostou que, se Lula não for candidato, o nome do PT será Jacques Wagner, ex-governador da Bahia, e fez uma comparação maldosa entre ele e o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, outro nome petista lembrado como alternativa a Lula: “O Jacques Wagner une pelo menos o PT do Nordeste, o Haddad não une nada”.

Aposta, ainda, que Temer não quer ser candidato e sua grande ambição é entrar para a história como um presidente que “pôs a economia de volta aos trilhos”. Na sua opinião, Temer acabará apoiando o candidato mais forte do centro, que é Alckmin, levando para ele as conquistas do seu governo na economia.

Quanto à eventual candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quem deu o recado foi o também ministro Gilberto Kassab, que preside o partido dele, o PSD: “Se o Meirelles se viabilizar, é claro que o PSD vai apoiá-lo”. Houve quem entendesse: Meirelles que se vire.

Outra previsão de Bornhausen: o candidato imbatível ao governo do Rio será o ex-prefeito César Maia, do DEM, “um economista capaz de colocar a casa em ordem e com bom recall da prefeitura”.

A surpresa da noite, num restaurante de Brasília, foi a presença de Segovia, que acompanhava a mulher, Tatiana, ex-assessora do DEM. À vontade entre os políticos, o novo diretor geral da PF inovou, porque não se tem notícia de seus antecessores em encontros políticos. Leandro Daiello, por exemplo, jamais foi visto desfilando num ambiente assim.