Bendine, pedra cantada

Eliane Cantanhêde

27 de julho de 2017 | 12h28

A nomeação de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras causou espanto, porque ele já tinha problemas com a Receita Federal, com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e com um empréstimo fora de padrão do Banco do Brasil, que presidia, para sua grande amiga Val Marchiori, socialite de São Paulo.

Quando a Receita identificou “evolução atípica” de seu patrimônio e compra de um imóvel em espécie, Bendine, candidamente, explicou que mantinha o dinheiro em casa. O presidente do maior banco público brasileiro guardava notas de reais embaixo do colchão?! Além de dar empréstimos para amigas que não tinham pago dívidas anteriores…

Receita, a CVM e o próprio BB investigavam ao mesmo ttempo negócios “atípicos”, mas a então presidente Dilma Rousseff não viu nada demais em transferir Bendine do banco para a Petrobras – com a Lava Jato funcionando havia um ano e a maior companhia do País atolada em escândalos e dívidas.

Naquela altura, com o nome de Bendine já exposto em investigações e na mídia, soube-se que ele era amigão (mais um…) do ex-presidente Lula e do PT e que era presença assídua nos palácios de Dilma, inclusive em reuniões de cúpula do governo.  O cara tinha carta branca…

E foi com essa sensação de poder e impunidade que, segundo o Ministério Público, Bendine foi capaz de pedir propina à Odebrecht, na véspera da posse, para manter negócios da empreiteira com a Petrobras. Na véspera da posse! Com um ano de Lava Jato!

O MP tem provas contundentes contra ele, além das delações de Marcelo Odebrecht e de um ex-executivo da empresa: cartões de crédito, reservas de hotéis para encontros sigilosos, mensagens entre Bendine e seu “operador” apagadas de quatro em quatro minutos.

Dilma Rousseff deve explicações sobre sua escolha desde sempre controversa para a Petrobras. E, se Bendine foi o homem errado, na hora errada, no lugar errado, o MP agiu no momento certo. Não é que o sujeito tinha passagem só de ida para Portugal?!