Aeronáutica e Marinha não soltam fogos

Eliane Cantanhêde

13 Novembro 2018 | 10h38

A decisão do presidente eleito Jair Bolsonaro de nomear um general para a Defesa desagrada a Marinha e a Aeronáutica e cria constrangimentos no próprio Exército, por dois motivos bem claros.

O primeiro é que todos os comandantes das três Forças Armadas defendiam um civil para a Defesa, como ocorre na grande maioria dos países e sempre foi respeitado no Brasil, desde a criação do ministério, no governo FHC, com exceção da gestão Michel Temer.

O segundo: Marinha, Aeronáutica e setores também da força terrestre acham que Bolsonaro, capitão da reserva, está dando excesso de força e de espaço para o Exército, em detrimento das duas outras forças.

Para piorar o clima, Bolsonaro tinha acenado publicamente com um almirante da Marinha para a Defesa, assim que deslocou o general Augusto Heleno do cargo para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), com sala no Planalto.

Desde então, houve uma torcida para o atual comandante da Marinha, almirante de esquadra Eduardo Leal Ferreira, que está deixando o cargo junto com outros comandantes em dezembro e é um militar ponderado e liberal. Ele, porém, tem filhos e netos em Vancouver e Londres e não gostaria de ficar preso a Brasília mais quatro anos.

A definição de um general tende a estremecer a discreta comemoração dos militares pela vitória de Bolsonaro. Não pelo escolhido, general de quatro estrelas Fernando Azevedo e Silva, um oficial de grande prestígio nas Forças Armadas e muito próximo ao comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas. E sim pelo desequilíbrio de espaço entre as forças no novo governo.