Para que as pessoas voltem a acreditar no Brasil
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Para que as pessoas voltem a acreditar no Brasil

Renata Cafardo

05 Outubro 2018 | 14h44

Em artigo para o blog Eleição+Educação, o diretor-executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne, diz que o Brasil precisa ter pressa para “inaugurar uma era de aprendizagem” para que as pessoas voltem a acreditar no País. Nesse momento de escolha do próximo presidente, para ele, é importante estar claro que a Educação é uma pauta prioritária e que iniciativas recentes, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada no ano passado, não podem deixar de ser implementadas. Veja abaixo o texto.

Denis Mizne

Temos todos uma dívida histórica com o nosso país. Melhor dizendo, temos uma dívida histórica com a nossa gente. Num momento em que todo o Brasil está mobilizado em torno do debate político e das implicações que este ciclo eleitoral terá para o nosso futuro, é urgente colocar a Educação como pauta prioritária. Embora haja um consenso coletivo de que ela é a base para o nosso futuro, é preciso encarar com coragem e compromisso seus reais desafios e popularizar os temas que deveriam estar no boca-a-boca das conversas entre todos os cidadãos.

 

Além das muitas iniciativas que lidera, a Fundação Lemann faz parte e apoia o Educação Já, iniciativa suprapartidária que, nestas eleições, coloca a Educação como proposta central para os próximos governos e traz prioridades claras, resultado de muito conhecimento compartilhado e aprofundado no setor sobre o tema. O acesso à Educação é uma realidade no Brasil – 94,2% das crianças e jovens de 4 a 17 anos estão frequentando as salas de aula. Mas o que precisamos garantir é a aprendizagem – as crianças vão à escola, mas saem de lá sem aprender. A cada 100 crianças, só metade sabe ler até os oito ou nove anos. Ao final do Ensino Médio, apenas 7,3% sabem Matemática no nível que deveriam, enquanto menos de 27% atingiu o nível adequado em Língua Portuguesa.

Denis Mizne, diretor da Fundação Lemann
Foto: Felipe Rau/Estadão

 

Neste sentido, uma grande conquista dos últimos anos foi a aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Construída desde 2013 em um esforço conjunto de diferentes governos, especialistas da área e professores de todo o Brasil, a Base vem para estabelecer um processo sério de organização da Educação Básica, neste momento já tendo definido o conjunto de conhecimentos e competências que todos os alunos do Ensino Fundamental têm direito a aprender. O Brasil não pode perder a oportunidade de dar sequência à esse primeiro avanço com ainda mais vigor, garantindo a implementação dessa política. Fazer com que ela chegue à todas as salas de aula, do material didático às avaliações e à formação dos professores é essencial para alinhar todo o sistema educacional em torno da aprendizagem. Por isso, propomos dois grandes compromissos em torno do “como fazer”.

 

O primeiro deles trata da co-responsabilização. É demandante uma grande mobilização em torno da aprendizagem, envolvendo a pluralidade e complementaridade dos agentes sociais – do Governo e da sociedade civil organizada à iniciativa privada e os indivíduos na esfera do debate público e da mobilização. O cenário é crítico e o tema da Educação é complexo, mas com a participação e o envolvimento de todos, é possível e vamos fazer acontecer.

 

O segundo ponto diz respeito à valorização e apoio direto aos educadores e educadoras. É preciso ouvi-los com método e frequência, convocar o saber prático para o desenho das propostas e, sobretudo, apoiá-los com iniciativas que os ajudem a superar os desafios cotidianos da aprendizagem. É preciso investir em formação de qualidade para esses profissionais, redesenhando também os critérios para atrair e formar bons professores, e restabelecer o prestígio social da carreira docente.

 

A pressa para virar essa chave que deixa para trás uma educação precária para inaugurar uma era de aprendizagem para todos não é pressa, é necessidade. É preciso correr atrás do atraso histórico no menor tempo possível e oferecer para todos os brasileiros uma educação que os prepare para a vida. O ciclo eleitoral vigente pode e deve ser o momento para isso. É na parceria entre vários setores da sociedade que se delineia a força de mudança – por um Brasil que acredita nas suas pessoas, por pessoas que voltem a acreditar no nosso País.