Sorte para o azar

Dora Kramer

05 de outubro de 2016 | 02h55

Com índices de aprovação e confiabilidade perigosamente baixos para quem assumiu a Presidência com a prometida missão de unificar o País e recolocar a economia no rumo do crescimento, Michel Temer vai nomear hoje para o Ministério do Turismo um réu em processo que tramita no Supremo Tribunal Federal. Acusados de falsidade ideológica, o deputado Marx Beltrão é afilhado político do presidente do Senado, Renan Calheiros, alvo de uma dúzia de inquéritos e denúncias. Uma delas, por peculato, falsidade ideológica e uso de documentos falsos, acaba de ser liberada para julgamento no STF. Se for aceita, Renan também vira réu, assim como seu pupilo.

A indicação é fruto da pressão de parte da bancada do PMDB e foi confirmada ontem pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A se concretizar, será daqueles tiros no pé de prejuízo certo e anunciado. Temer já não está “podendo”. Caso dê mesmo essa sorte para o azar, poderá ainda menos. Renan Calheiros está próximo de se tornar uma companhia tão ou mais tóxica que Eduardo Cunha. Tal nomeação é, além de desnecessária, inconsequente e absolutamente imprudente. De onde ficará nítido que a comunicação é o menor dos problemas de um governo que arquiteta os próprios problemas.

Tendências: