Panos quentes

Dora Kramer

31 de agosto de 2016 | 17h25

Mesmo inconformado com a decisão de manter a habilitação de Dilma Rousseff apesar de cassada do mandato, o senador Aloisio Nunes (PSDB-SP) diz que não pretende nem ameaçou deixar o posto de líder do governo em reação à articulação comandada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). “Não sou homem de faniquitos”, disse, admitindo que foi pego de surpresa.

“Evidente que não gostei da surpresa, assim como o  presidente Michel Temer também não gostou, mas não cabe contestação nem a abertura de espaço para novas turbulências políticas”. Segundo Aloisio Nunes, a possibilidade de um acordo geral para se votar a cassação de um jeito e a inabilitação de outro chegou a ser ventilada durante a semana, mas rejeitada pelo governo. “Simplesmente porque isso iria contrariar nossa linha de argumentação sobre o respeito estrito ao escrito na Constituição, que fala em perda do cargo com inabilitação para elegibilidade e ocupação de cargos públicos”.

Na opinião do senador, o mandado de segurança anunciado pelo senador Ronaldo Caiado para tentar mudar essa decisão junto ao Supremo não tem chance de prosperar. “Assim como a cassação, a decisão do Senado sobre a inabilitação é soberana e, portanto, irrecorrível”. Na visão dele, o melhor que tem a fazer o governo é “virar essa página”.

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