Mundo da lua

Dora Kramer

06 de julho de 2016 | 20h09

A carta da presidente afastada Dilma Rousseff à comissão especial do impeachment, lida pelo advogado José Eduardo Cardozo, foi bem até acerto ponto. Manifestou seu “respeito” aos senadores e repetiu os argumentos de defesa em relação às acusações: pedaladas e edição de decretos de recursos suplementares sem autorização do Congresso. Tudo ok, a ausência de novidades não invalida os argumentos.

A coisa desandou, no entanto, da metade para o fim: chamou de golpistas os senadores que daqueles argumentos discordam, acusou-os de ser partícipes de um “pacto de impunidade” pelo qual estariam mancomunados contra seu (dela) firme propósito de combater a corrupção e dissertou a respeito do “sucesso” dos feitos do governo no período em que estave à frente da chefia da Nação. Voltou, com isso, a frequentar o mundo da lua em que esteve durante a campanha eleitoral e no qual permaneceu reagindo a todos os alertas sobre as condutas irregulares que vieram a sustentar o pedido de impeachment.

Não compareceu à reunião, conforme lhe facultavam as regras, aconselhada por companheiros de que, assim, daria legitimidade ao “golpe”. Os mesmos que a cada passo do processo participam dele já devidamente legitimado pela Constituição.

Dilma não foi para não ser questionada. Alegou que estará presente no plenário por ocasião do julgamento propriamente dito. Quando, então, pretende dar-se ao exercício do monólogo. Caso sejam permitidas intervenções dos parlamentares, escrevam: não irá.

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