Gato escaldado

Dora Kramer

21 de julho de 2016 | 16h09

Na expressão de um ministro da “casa” _ vale dizer, com assento no Palácio do Planalto _ a nomeação do alagoano Marx Beltrão para o ministério do Turismo “subiu no telhado”. Só não diz que já foi ao chão porque antes de oficializar a desistência o presidente em exercício, Michel Temer, quer conversar com o padrinho de Beltrão, o também alagoano presidente do Senado, Renan Calheiros, para pedir a indicação de outro nome.

O de Marx Beltrão está impresso em substancial folha corrida de irregularidades quando prefeito do município de Coruripe (AL) e em processo no Supremo Tribunal Federal no qual figura como réu por falsidade ideológica. Alguns setores do governo ainda ponderam que a decisão não está tomada, mas só para efeito de reverência em relação a Renan Calheiros que, aliás, quando indicou certamente não desconhecia o passivo do afilhado na Justiça.

Depois de ter sido obrigado a demitir os ministros Romero Jucá e Henrique Eduardo Alves _ ambos diletos aliados _ por razões semelhantes, Temer seria no mínimo imprudente ao nomear um ministro cuja demissão posterior seria fava contada.

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