Era vidro e se quebrou

Dora Kramer

14 de junho de 2016 | 18h17

O grande e celebrado poder de Eduardo Cunha, viu-se no resultado da votação do conselho de ética da Câmara, era um falso diamante. Perdeu com os votos de uma deputada e um deputado que eram tidos como aliados dele. O que teria ocorrido? Nada de estranho: a exposição dos fatos que tornaram Cunha indefensável. A tal história da beleza da democracia. Quem vive de votos, da opinião do público, pode até acompanhar o aliado ao enterro, mas não pula com ele na cova. Neste quesito, vimos que Tia Eron, a deputada, é mais articulada do que se imaginava.

Eduardo Cunha perdeu no conselho, vai perder na comissão de Constituição e Justiça à qual tem o direito de recorrer e perderá no plenário da Câmara. Perdido o mandato, provavelmente perca também a liberdade por obra do juiz Sérgio Moro. As perdas se devem a uma razão simples: não se pode fazer tudo errado acreditando que, no fim, possa dar certo.

Agora cabe à Câmara resolver a questão da vacância, tirando do caminho a figura inútil de Waldyr Maranhão sem introduzir novos fatores à crise política.