Chuva que choveu

Dora Kramer

22 de junho de 2016 | 05h02

A foto na primeira página do Estadão de hoje é auto explicativa: Eduardo Cunha falando rodeado de cadeiras vazias. No palco, nenhum aliado. Na plateia, entre os jornalistas convidados à entrevista, apenas dois deputados. A tropa, como se vê, está mais preocupada com outros choques. Por exemplo, aquele que provocariam em seus eleitores caso se postassem ao lado de Cunha. Típico caso de rei posto (pelo afastamento determinado pelo Supremo e por obra das evidências contra ele), rei morto. Cunha atraiu atenção da imprensa por causa do suspense em torno da possibilidade da renúncia. Quando perceberam que o mato não produziria coelhos, os canais noticiosos abandonaram a transmissão ao vivo. Além disso, o governo interino de Michel Temer vai muito bem obrigado em matéria de aprovação de projetos na Câmara, sem precisar de Eduardo Cunha.

Dilma Rousseff,  companheira de infortúnio do inimigo, também vive as dores do ostracismo. Sua tropa não dá o combate anunciado a partir da trincheira do Palácio da Alvorada, seu partido alega não ter caixa para financiar viagens Brasil e mundo afora, sua proposta de patrocinar a proposta de eleições gerais em troca da rejeição do impeachment não reuniu adeptos suficientes para lotar um fusca. Além disso, as sessões da comissão especial do Senado, onde petistas e aliados exercitam diariamente sua defesa, são a imagem e semelhança da contradição em termos da teoria do “golpe”.

Ambos têm muito em comum. Principalmente o fato de que são chuvas que já choveram. Residentes do passado.

 

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