Acabou-se o que era amargo

Dora Kramer

06 de julho de 2016 | 20h24

Quem acompanhou a sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara sabe do que falarei. Quem não acompanhou saberá que o deputado Eduardo Cunha está condenado. Não chegaram a ser contados nos dedos de uma mão os parlamentares que o defenderam. Houve rejeição explícita como nunca antes.

O relator, tido como aliado dele, aceitou apenas um dos 16 argumentos de alegação para a nulidade da sessão do Conselho de Ética que aprovou o parecer pela cassação do mandato. Ainda assim, o ponto em que o relator se apegou para propor a anulação da votação anterior já havia sido objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal em arguição da defesa de Dilma Rousseff: a forma de votação.

Segundo o relator, deveria ter sido feita por meio do placar eletrônico e não por chamada nominal, tese rejeitada pelo STF. De onde pode-se apostar sem medo de errar: o parecer será recusado e o processo enviado para o plenário onde o instinto de sobrevivência dos deputados levarão o colega ao cadafalso.

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