O significado de Cidinha como vice
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O significado de Cidinha como vice

Conexão Eleitoral

28 de julho de 2016 | 17h10

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Por Sofia Mandelert*

Após os episódios de violência doméstica protagonizados por Pedro Paulo virem à tona em 2015, o ex-secretário do governo do PMDB no Rio de Janeiro teve suas chances de eleição afetadas por uma onda de comoção e protestos virtuais e não virtuais. É nesse cenário que ocorreu o anúncio de Cidinha Campos (PDT) para o cargo de vice. A escolha é resultado de um interesse legítimo em buscar representatividade de gênero na prefeitura? Ou é apenas uma tentativa de blindar a campanha de Pedro Paulo contra novas críticas?

A reação popular contra Pedro Paulo na internet foi forte e atipicamente duradoura. Mesmo segundo uma revista de perfil conservador, houve “revolta nas redes sociais” em novembro do ano passado. Mas a internet não esqueceu que existem provas da violência doméstica e que Pedro Paulo admitiu ter agredido sua ex-esposa.  As buscas no Google sobre o ocorrido continuam em volume significativo e crescente. Quase eclipsam em tamanho as buscas relacionadas à própria candidatura de Pedro Paulo à Câmara dos Deputados em 2014. Fora da internet os protestos também continuam, com gritos de guerra na ocupação do Ministério da Cultura e protestos no centro do Rio.

Pedro Paulo e o PMDB buscaram especificamente mulheres para o cargo de vice. A campanha tentou duas outras, Martha Rocha e Maria Amélia Reis, após a recusa inicial de Cidinha. Poderia ser um esforço para buscar representatividade no mais alto escalão da administração municipal. Mas a realidade de como o PMDB administra a prefeitura atesta o contrário.

Segundo o site da prefeitura do Rio de Janeiro, existem 29 órgãos com status de secretaria na gestão de Eduardo Paes. 4 deles são chefiados por mulheres. Um desses é justamente a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres. Das 9 empresas públicas municipais, 2 são lideradas por mulheres. Na chefia das 7 subprefeituras e 5 autarquias não há uma única mulher. A prática do PDT tampouco mostra compromisso com representatividade de gênero. Dos 26 cargos da executiva nacional do partido, apenas 5 são ocupados por mulheres. Dos 27 presidentes de diretório estadual, nenhum é mulher.

A realidade aponta para a escolha de Cidinha como mera estratégia de marketing. A única coisa pior do que excluir mulheres do alto escalão do Executivo é usar uma delas como escudo. Uma tentativa de se defender das críticas da população nas redes sociais. Será que uma vice alegórica poderá salvar Pedro Paulo da primavera feminista na internet e nas ruas?

cidinhacampos

*Aluna da FGV Direito Rio

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